COLÉGIO
ESTADUAL FRED GEDEON
PACTO
PELO FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO – 2014
Orientador:
Genivaldo Pereira dos Santos
CADERNO
III
O currículo do ensino médio, seus sujeitos e
o desafio da formação humana integral
QUESTÕES HISTÓRICAS
IDENTIDADE
DUALIDADE
O FRÁGIL ACESSO
À EDUCAÇÃO SUPERIOR: “preparar para o vestibular”
A FORMAÇÃO
TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO: “preparar para o mercado”
SINOPSE
O caderno O currículo do Ensino Médio, seus sujeitos e o desafio da formação humana
integral apresenta uma reflexão sobre as práticas docentes e as
relações dessas práticas com o campo
teórico do currículo.
Indaga acerca das implicações que essas
reflexões podem ter, considerando-se as necessidades e o direito à educação que
possuem os alunos jovens (e adultos) do ensino Médio brasileiro.
Questiona acerca das formas de organização
dos tempos, dos espaços e dos saberes que permitem maior integração e diálogo
entre as disciplinas e as áreas de conhecimento e entre estas e os sujeitos alunos e professores da última
etapa da educação básica.
O ensino médio brasileiro, ao longo de sua história, oscilou entre uma finalidade
volta- da ora para a formação acadêmica, destinada a preparar para o ingresso no ensino superior,
ora voltada para uma formação de caráter
técnico, com vistas a preparar para o
trabalho. é possível verificar que a organização curricular do ensino médio que
se instituiu ao longo do tempo se
caracterizou pela fragmentação do conhecimento em disciplinas estanques e
hierarquizadas, de modo a valorizar algumas áreas do conhecimento em detrimento de outras.
Os argumentos traçados anteriormente nos colocam diante da necessidade de pensar uma escola a qual não se limite aos interesses
mais imediatos e pragmáticos, mas que
acolha o desafio de pensar a formação
humana em sua plenitude. Convidamos,
assim, à reflexão em torno da ideia de
um ensino médio sustentado na e pela
finalidade de uma formação humana integral. DCNEM - O que elas propõem é que toda a atividade curricular do ensino médio se
organize a partir de um eixo comum –
trabalho, ciência, tecnologia e cultura – e que se integre, a partir desse eixo, à totalidade dos
componentes curriculares. É possível
reconhecer nessa orientação a possibilidade de o currículo ser capaz de atribuir novos sentidos à escola, de dinamizar
as experiências oferecidas aos jovens
alunos e de ressignificar os saberes e
experiências com os quais se interage
nas escolas.
As proposições das Diretrizes deixam evidente que, no ensino médio, adquire
centralidade promover a compreensão do mundo do trabalho, da cultura e das inter-relações
entre esses campos e o do
desenvolvimento científico e
tecnológico, de modo a tomá-los culturalmente, tanto no sentido ético pela
apreensão crítica dos valores postos na
sociedade quanto estético, com vistas a potencializar capacidades
interpretativas, criativas e produtivas da cultura nas suas diversas formas de expressão e manifestação.
DCNEM indicam a necessidade de que se realize uma profunda discussão na escola a partir dos fundamentos propostos para o ensino
médio e que se discuta de qual modo tais
pressupostos dialogam ou poderiam dialogar com o projeto pedagógico e com as práticas
curriculares da escola.
Ao tomar decisões sobre estes pontos de partida e
finalidades, quem o faz tem por base uma visão de mundo e de escola a qual
orienta a reflexão, bem como as decisões sobre o que e por que ensinar. Em
vista disso, é possível afirmar que não há neutralidade nesse processo e que
todo o fazer pedagógico, do planejamento à avaliação, é um fazer político e é
um processo eminentemente coletivo.Por exemplo, nos momentos nos quais se faz
um diagnóstico da realidade da escola tendo em vista a elaboração de seu
Projeto Político-Pedagógico, esse diagnóstico pode se tornar um profundo
processo coletivo de avaliação de como a escola tem se organizado, das
dificuldades que tem encontrado, das possibilidades de superação dessas
dificuldades e do avanço em direção a uma melhor qualidade da educação.
A organização e o desenvolvimento curricular, segundo Ralph
Tyler (1976), deveriam se orientar a
partir de quatro questões básicas: “1.
Que objetivos educacionais deve a escola
procurar atingir? 2. Que experiências educacionais podem ser oferecidas que tenham probabilidade de alcançar esses
propósitos? 3. Como organizar eficientemente essas experiências educacionais? 4. Como podemos ter a certeza de que esses objetivos estão a
ser alcançados?” (SILVA, 2000
O exercício de pensar a formação humana a partir do
diálogo com a prática cotidiana do professor é o nosso grande desafio.
Convidamos você, professor/professora, para uma reflexão sobre um dos aspectos
que pode nos ajudar a dar um sentido para a educação que almejamos: as
dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura como fundamento
teórico e prático da formação humana integral.
Partimos de uma compreensão de que não existe
nenhuma receita pronta para a prática pedagógica e de que não podemos adquirir
uma concepção mais ampla a qual não seja construída pelo próprio educador. É na
sua reflexão e reelaboração da concepção da educação e da formação humana que o
educador pode atribuirsignificado para sua prática pedagógica
As
escolas públicas, em sua maioria, são pouco atraentes, não estimulam a imaginação criadora e oferecem pouco espaço para novas experiências,
sociabilidades, solidariedades, debates públicos, atividades culturais e
informativas ou passeios que ampliem os
territórios de conhecimento (CARRANO,
2010, p. 145).
Por essa razão é que explicitamos nossa
concordância com as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio, pois a partir delas
é possível traçar um novo caminho para esta etapa da educação básica, um
caminho que, ao levar a uma formação que não dissocia a cultura da ciência e do
trabalho, possibilita aos estudantes compreenderem que os conhecimentos e os
valores característicos de um tempo histórico e de um grupo social trazem a
marca das razões, dos problemas, das necessidades e das possibilidades que
orientaram o desenvolvimento dos meios e das relações sociais e de produção
É
necessário potencializar o fortalecimento da relação entre o ensino e a pesquisa, na perspectiva de contribuir com a edificação da autonomia intelectual dos
sujeitos frente à (re)construção do
conhecimento e de outras práticas
sociais. Isto significa contribuir, entre outros aspectos, para o desenvolvimento das
capacidades de, ao longo da vida, interpretar, analisar, criticar, refletir,
rejeitar ideias fechadas, aprender, buscar
soluções e propor alternativas, potencializadas pela investigação e pela
responsabilidade ética assumida diante das
questões políticas, sociais, culturais e
econômicas (SILVA, 2013, p. 76).
A pesquisa como princípio pedagógico é capaz de
levar o estudante em direção a uma atitude de curiosidade e de crítica, por
meio da qual ele é instigado a buscar de respostas e a não se contentar com
pacotes prontos
É possível pensar uma organização curricular que se
faça no caminhar, organizada inicialmente por disciplinas e áreas do
conhecimento (recorte do real para aprofundar conceitos) alternadas com
atividades integradoras (imersão no real ou sua simulação para compreender a
relação parte-totalidade por meio de atividades interdisciplinares)
Em vista disso, entendemos como urgente e
necessário avançar para um currículo plural e inclusivo, que apresente uma
perspectiva multi/intercultural e abra espaço para que diferentes etnias,
gêneros, faixas etárias e necessidades de aprendizagem além de outras
categorias da diversidade sejam efetivamente contempladas
Um currículo que:Seja inclusivo e
intercultural;Supere o ideário do dualismo entre formação geral e formação
profissional;Proporcione um caminho formativo motivador, tanto pela integração
entre trabalho, cultura, ciência e tecnologia como pela prospecção de um futuro
melhor;Articule a formação cultural e o trabalho produtivo;Aproxime as ciências
naturais das ciências humanas.
Disciplinas
e integração curricular
Integração
ente um núcleo de disciplinas do currículo obrigatório com atividades e opções
do próprio interesse do estudante
o princípio
pedagógico específico do ensino médio não deve ser buscado na preparação para o
mercado ou para o vestibular, mas no método de estudo e pesquisa que conduz à
autonomia de estudos, à autonomia intelectual e moral
Perspectivas
O reconhecimento e efetivação do ensino médio
como “educação básica”
Os sentidos da escola a partir de seus
sujeitos;
Novos arranjos curriculares: a reorganização
dos tempos e espaços e resignificação do conhecimento escolar;
A organização coletiva do trabalho
pedagógico;
Os sentidos da avaliação para o ensino médio.
Juventude e escola
JUVENTUDE E
ESCOLARIZAÇÃO: PERDA DE SIGNIFICADO, CRISE DA ESCOLA, DESLOCAMENTO DE
SENTIDO.....
O QUE SIGNIFICAM OS
ELEVADOS ÍNDICES DE DESISTÊNCIA DA ESCOLA? E O QUE DIZER DOS QUE NELA
PERMANECEM “ABANDONADOS” OU QUE ABANDONARAM O SENTIDO “ESCOLAR” DA ESCOLA?
INVESTIGAR AS
RAZÕES DA PERMANÊNCIA E DO ABANDONO ESCOLAR E REPENSAR OS MODOS DE ORGANIZAR OS
TEMPOS-ESPAÇOS-SABERES
OS VÍNCULOS FORMAIS
E OS VÍNCULOS INFORMAIS COMO FATORES QUE PRECISAM SER MAIS ESTUDADOS E
CONHECIDOS
Princípios e proposições
A compreensão dos
processos sociais a partir dos significados produzidos pela articulação entre
trabalho e cultura, entre ciência e tecnologia, conforme estabelecido nas
Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (Brasil, Parecer CNE/CEB
05/2011 2 Resolução CNE/CEB 02/2012) confere uma identidade para o ensino médio
ao propor que está última etapa da educação básica se oriente pela busca de uma
formação humana integral.
O princípio educativo
O currículo
integrado em torno do eixo trabalho-ciência-tecnologia-cultura deve ser capaz
de atribuir novos sentidos à escola, dinamizar as experiências oferecidas aos
alunos, re-significar os saberes e experiências. Desse modo, cada disciplina,
cada experiência curricular, deverão se perguntar em que medida estão
articuladas a esse eixo integrador.
O ponto de partida:
a vivência que têm da cultura, do trabalho, da ciência, da tecnologia.
Tempos-espaços-saberes
Integração
ente um núcleo de disciplinas do currículo obrigatório com atividades e opções
do próprio interesse do estudante o princípio pedagógico específico do ensino
médio não deve ser buscado na preparação para o mercado ou para o vestibular,
mas no método de estudo e pesquisa que conduz à autonomia de estudos, à
autonomia intelectual e moral
A pesquisa como princípio pedagógico
A pesquisa como
princípio pedagógico instiga o estudante no sentido da curiosidade em direção
ao mundo que o cerca, gera inquietude, para que não sejam incorporados “pacotes
fechados” de visão de mundo, de informações e de saberes, quer sejam do senso
comum, escolares ou científicos (DCNEM).
Perspectiva
integrada
Eixo de articulação e de atribuição de
sentido ao conjunto de saberes que serão tratados no ensino médio: as dimensões
do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura
Formação Humana integral: a partir dessas
dimensões pensar a formação humana de “um sujeito por inteiro”: é o que atribui
finalidade e sentido à ciência, à ética, à estética...enfim, aos grandes
desafios que o mundo contemporâneo tem nos colocado.
Perspectiva
integrada
A integração entre as dimensões do trabalho,
ciência, tecnologia e cultura na perspectiva do trabalho como princípio
educativo tem por fim propiciar a compreensão
dos fundamentos científicos e tecnológicos dos processos sociais e produtivos,
devendo orientar a definição de toda proposição curricular, constituindo-se no
fundamento da seleção dos conhecimentos, disciplinas, metodologias,
estratégias, tempos, espaços, arranjos curriculares alternativos e formas de
avaliação (DCNEM).
Perspectiva de currículo integrado
O reconhecimento do caráter
histórico-cultural da formação humana nos leva ao encontro do avanço do
conhecimento científico e tecnológico, e isso significa, em termos
curriculares, que se parta da contextualização dos fenômenos naturais e
sociais, de sua significação a partir das experiências dos sujeitos, bem como
da necessidade de superação das dicotomias entre humanismo e tecnologia. Tal
organização curricular pressupõe, ainda, a ausência de hierarquias entre
saberes, áreas e disciplinas.
O currículo: uma construção coletiva
Essa perspectiva de
planejamento curricular tem, ainda, como principais diretrizes, que a ação de
planejar implica a participação de todos os elementos envolvidos no processo –
alunos, professores, coordenadores pedagógicos, gestores; que há necessidade de
se priorizar a busca da unidade entre o que se planeja e o que se realiza; que
o planejamento escolar deve partir da realidade concreta e estar voltado para
atingir as finalidades da educação básica definidas no projeto coletivo da
escola.
Qual
ensino médio? Qual currículo?
Currículo
e conhecimento escolar
“O currículo tem
que levar em consideração o conhecimento local e cotidiano que os alunos trazem
para a escola, mas esse conhecimento nunca poderá ser uma base para o
currículo. A estrutura do conhecimento local é planejada para relacionar-se com
o particular e não pode fornecer a base para quaisquer princípios generalizáveis.
Fornecer acesso a tais princípios é uma das principais razões pelas quais todos
os países têm escolas”. (YOUNG, Michael. Para que servem as escolas. 2007, p.
13)
Reflexão
e Ação
As
decisões sobre o currículo se instituem como seleção. Na medida em que se trata
de uma seleção, e que esta não é neutra, faz-se necessário clareza sobre quais
critérios orientam esse processo de escolha. Promova um debate entre os
professores participantes deste curso tendo como tema a seguinte questão: “Que
relações existem entre o que eu ensino e o mundo do trabalho, da ciência, da
tecnologia da cultura?”Registre esse debate e compartilhe as conclusões em suas
redes de contato.
Reflexão
e ação
Reconhecemos
a complexidade das propostas das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para
o Ensino Médio. Por essa razão, propomos que se reserve um tempo para a leitura
e aprofundamento:
1) Ler e
analisar as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (Parecer CNE/
CEB
05/2011 e Resolução CNE/CEB nº 02/2012 disponíveis em:
<http://portal.mec.gov.br/index.
php?option=com_content&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica)>;
2)
Organizar uma roda de conversa com os professores da escola sobre as DCNEM.
3)
Sistematização: quais as proposições que mais geraram debate? A que você
atribui que tenham sido essas as questões mais polêmicas?
4) Faça o
registro dessa atividade e socialize com os demais professores cursistas.
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