segunda-feira, 22 de setembro de 2014

RESUMO - CADERNO III - EIXO I

COLÉGIO ESTADUAL FRED GEDEON
PACTO PELO FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO – 2014
Orientador: Genivaldo Pereira dos Santos

CADERNO III
O currículo do ensino médio, seus sujeitos e o desafio da formação humana integral
QUESTÕES HISTÓRICAS
IDENTIDADE
DUALIDADE
O FRÁGIL ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR: “preparar para o vestibular”
A FORMAÇÃO TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO: “preparar para o mercado”
SINOPSE
O caderno O currículo do Ensino Médio, seus sujeitos e o desafio da formação humana integral apresenta uma reflexão sobre as práticas docentes e as relações  dessas práticas com o campo teórico do currículo.
Indaga acerca das implicações que essas reflexões podem ter, considerando-se as necessidades e o direito à educação que possuem os alunos jovens (e adultos) do ensino Médio brasileiro.
Questiona acerca das formas de organização dos tempos, dos espaços e dos saberes que permitem maior integração e diálogo entre as disciplinas e as áreas de conhecimento e entre estas  e os sujeitos alunos e professores da última etapa da educação básica.
O ensino médio brasileiro, ao longo de  sua história, oscilou entre uma finalidade volta- da ora para a formação acadêmica, destinada a  preparar para o ingresso no ensino superior, ora  voltada para uma formação de caráter técnico,  com vistas a preparar para o trabalho. é possível verificar que a organização curricular do ensino médio que se instituiu ao longo  do tempo se caracterizou pela  fragmentação do  conhecimento em disciplinas estanques e hierarquizadas, de modo a valorizar algumas áreas do  conhecimento em detrimento de outras.

Os argumentos traçados anteriormente  nos colocam diante da necessidade de pensar  uma escola a qual não se limite aos interesses  mais imediatos e pragmáticos, mas que acolha  o desafio de pensar a formação humana em sua  plenitude. Convidamos, assim, à reflexão em  torno da ideia de um ensino médio sustentado  na e pela finalidade de uma formação humana integral.  DCNEM - O que elas propõem é que  toda a atividade curricular do ensino médio se  organize a partir de um eixo comum – trabalho, ciência, tecnologia e cultura – e que se  integre, a  partir desse eixo, à totalidade dos componentes  curriculares. É possível reconhecer nessa orientação a possibilidade de o currículo ser capaz de  atribuir novos sentidos à escola, de dinamizar as  experiências oferecidas aos jovens alunos e de  ressignificar os saberes e experiências com os  quais se interage nas escolas.
As proposições das Diretrizes deixam  evidente que, no ensino médio, adquire centralidade promover a compreensão do mundo do  trabalho, da cultura e das inter-relações entre  esses campos e o do desenvolvimento científico  e tecnológico, de modo a tomá-los culturalmente, tanto no sentido ético pela apreensão crítica  dos valores postos na sociedade quanto estético, com vistas a potencializar capacidades interpretativas, criativas e produtivas da cultura nas suas  diversas formas de expressão e manifestação.
DCNEM indicam a necessidade de que  se realize uma profunda discussão na escola a  partir dos fundamentos propostos para o ensino  médio e que se discuta de qual modo tais pressupostos dialogam ou poderiam dialogar com o  projeto pedagógico e com as práticas curriculares da escola.
Ao tomar decisões sobre estes pontos de partida e finalidades, quem o faz tem por base uma visão de mundo e de escola a qual orienta a reflexão, bem como as decisões sobre o que e por que ensinar. Em vista disso, é possível afirmar que não há neutralidade nesse processo e que todo o fazer pedagógico, do planejamento à avaliação, é um fazer político e é um processo eminentemente coletivo.Por exemplo, nos momentos nos quais se faz um diagnóstico da realidade da escola tendo em vista a elaboração de seu Projeto Político-Pedagógico, esse diagnóstico pode se tornar um profundo processo coletivo de avaliação de como a escola tem se organizado, das dificuldades que tem encontrado, das possibilidades de superação dessas dificuldades e do avanço em direção a uma melhor qualidade da educação.

A organização e o  desenvolvimento curricular, segundo Ralph Tyler  (1976), deveriam se orientar a partir de quatro  questões básicas: “1. Que objetivos educacionais  deve a escola procurar atingir? 2. Que experiências educacionais podem ser oferecidas que  tenham probabilidade de alcançar esses propósitos? 3. Como organizar eficientemente essas  experiências educacionais? 4. Como podemos  ter a certeza de que esses objetivos estão a ser  alcançados?” (SILVA, 2000

O exercício de pensar a formação humana a partir do diálogo com a prática cotidiana do professor é o nosso grande desafio. Convidamos você, professor/professora, para uma reflexão sobre um dos aspectos que pode nos ajudar a dar um sentido para a educação que almejamos: as dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura como fundamento teórico e prático da formação humana integral.
Partimos de uma compreensão de que não existe nenhuma receita pronta para a prática pedagógica e de que não podemos adquirir uma concepção mais ampla a qual não seja construída pelo próprio educador. É na sua reflexão e reelaboração da concepção da educação e da formação humana que o educador pode atribuirsignificado para sua prática pedagógica
As escolas públicas, em sua maioria, são pouco atraentes, não estimulam  a imaginação criadora e oferecem pouco  espaço para novas experiências, sociabilidades, solidariedades, debates públicos, atividades culturais e informativas  ou passeios que ampliem os territórios  de conhecimento (CARRANO, 2010, p.  145).

Por essa razão é que explicitamos nossa concordância com as Diretrizes Curriculares  Nacionais do Ensino Médio, pois a partir delas é possível traçar um novo caminho para esta etapa da educação básica, um caminho que, ao levar a uma formação que não dissocia a cultura da ciência e do trabalho, possibilita aos estudantes compreenderem que os conhecimentos e os valores característicos de um tempo histórico e de um grupo social trazem a marca das razões, dos problemas, das necessidades e das possibilidades que orientaram o desenvolvimento dos meios e das relações sociais e de produção
É necessário potencializar o fortalecimento da relação entre o ensino e  a pesquisa, na perspectiva de contribuir  com a edificação da autonomia intelectual dos sujeitos frente à (re)construção  do conhecimento e de outras práticas  sociais. Isto significa contribuir, entre  outros aspectos, para o desenvolvimento das capacidades de, ao longo da vida, interpretar, analisar, criticar, refletir, rejeitar ideias fechadas, aprender, buscar  soluções e propor alternativas, potencializadas pela investigação e pela responsabilidade ética assumida diante das  questões políticas, sociais, culturais e  econômicas (SILVA, 2013, p. 76).
A pesquisa como princípio pedagógico é capaz de levar o estudante em direção a uma atitude de curiosidade e de crítica, por meio da qual ele é instigado a buscar de respostas e a não se contentar com pacotes prontos
É possível pensar uma organização curricular que se faça no caminhar, organizada inicialmente por disciplinas e áreas do conhecimento (recorte do real para aprofundar conceitos) alternadas com atividades integradoras (imersão no real ou sua simulação para compreender a relação parte-totalidade por meio de atividades interdisciplinares)
Em vista disso, entendemos como urgente e necessário avançar para um currículo plural e inclusivo, que apresente uma perspectiva multi/intercultural e abra espaço para que diferentes etnias, gêneros, faixas etárias e necessidades de aprendizagem além de outras categorias da diversidade sejam efetivamente contempladas
Um currículo que:Seja inclusivo e intercultural;Supere o ideário do dualismo entre formação geral e formação profissional;Proporcione um caminho formativo motivador, tanto pela integração entre trabalho, cultura, ciência e tecnologia como pela prospecção de um futuro melhor;Articule a formação cultural e o trabalho produtivo;Aproxime as ciências naturais das ciências humanas.
Disciplinas e integração curricular
Integração ente um núcleo de disciplinas do currículo obrigatório com atividades e opções do próprio interesse do estudante
o princípio pedagógico específico do ensino médio não deve ser buscado na preparação para o mercado ou para o vestibular, mas no método de estudo e pesquisa que conduz à autonomia de estudos, à autonomia intelectual e moral
Perspectivas
O reconhecimento e efetivação do ensino médio como “educação básica”
Os sentidos da escola a partir de seus sujeitos;
Novos arranjos curriculares: a reorganização dos tempos e espaços e resignificação do conhecimento escolar;
A organização coletiva do trabalho pedagógico;
Os sentidos da avaliação para o ensino médio.
Juventude e escola
JUVENTUDE E ESCOLARIZAÇÃO: PERDA DE SIGNIFICADO, CRISE DA ESCOLA, DESLOCAMENTO DE SENTIDO.....
O QUE SIGNIFICAM OS ELEVADOS ÍNDICES DE DESISTÊNCIA DA ESCOLA? E O QUE DIZER DOS QUE NELA PERMANECEM “ABANDONADOS” OU QUE ABANDONARAM O SENTIDO “ESCOLAR” DA ESCOLA?
INVESTIGAR AS RAZÕES DA PERMANÊNCIA E DO ABANDONO ESCOLAR E REPENSAR OS MODOS DE ORGANIZAR OS TEMPOS-ESPAÇOS-SABERES
OS VÍNCULOS FORMAIS E OS VÍNCULOS INFORMAIS COMO FATORES QUE PRECISAM SER MAIS ESTUDADOS E CONHECIDOS
Princípios e proposições
A compreensão dos processos sociais a partir dos significados produzidos pela articulação entre trabalho e cultura, entre ciência e tecnologia, conforme estabelecido nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (Brasil, Parecer CNE/CEB 05/2011 2 Resolução CNE/CEB 02/2012) confere uma identidade para o ensino médio ao propor que está última etapa da educação básica se oriente pela busca de uma formação humana integral.
O princípio educativo
O currículo integrado em torno do eixo trabalho-ciência-tecnologia-cultura deve ser capaz de atribuir novos sentidos à escola, dinamizar as experiências oferecidas aos alunos, re-significar os saberes e experiências. Desse modo, cada disciplina, cada experiência curricular, deverão se perguntar em que medida estão articuladas a esse eixo integrador.
O ponto de partida: a vivência que têm da cultura, do trabalho, da ciência, da tecnologia.
Tempos-espaços-saberes
Integração ente um núcleo de disciplinas do currículo obrigatório com atividades e opções do próprio interesse do estudante  o princípio pedagógico específico do ensino médio não deve ser buscado na preparação para o mercado ou para o vestibular, mas no método de estudo e pesquisa que conduz à autonomia de estudos, à autonomia intelectual e moral
A pesquisa como princípio pedagógico
A pesquisa como princípio pedagógico instiga o estudante no sentido da curiosidade em direção ao mundo que o cerca, gera inquietude, para que não sejam incorporados “pacotes fechados” de visão de mundo, de informações e de saberes, quer sejam do senso comum, escolares ou científicos (DCNEM).
Perspectiva integrada
Eixo de articulação e de atribuição de sentido ao conjunto de saberes que serão tratados no ensino médio: as dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura
Formação Humana integral: a partir dessas dimensões pensar a formação humana de “um sujeito por inteiro”: é o que atribui finalidade e sentido à ciência, à ética, à estética...enfim, aos grandes desafios que o mundo contemporâneo tem nos colocado.
Perspectiva integrada
A integração entre as dimensões do trabalho, ciência, tecnologia e cultura na perspectiva do trabalho como princípio educativo tem por fim propiciar a compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos dos processos sociais e produtivos, devendo orientar a definição de toda proposição curricular, constituindo-se no fundamento da seleção dos conhecimentos, disciplinas, metodologias, estratégias, tempos, espaços, arranjos curriculares alternativos e formas de avaliação (DCNEM).
Perspectiva de currículo integrado
O reconhecimento do caráter histórico-cultural da formação humana nos leva ao encontro do avanço do conhecimento científico e tecnológico, e isso significa, em termos curriculares, que se parta da contextualização dos fenômenos naturais e sociais, de sua significação a partir das experiências dos sujeitos, bem como da necessidade de superação das dicotomias entre humanismo e tecnologia. Tal organização curricular pressupõe, ainda, a ausência de hierarquias entre saberes, áreas e disciplinas.
O currículo: uma construção coletiva
Essa perspectiva de planejamento curricular tem, ainda, como principais diretrizes, que a ação de planejar implica a participação de todos os elementos envolvidos no processo – alunos, professores, coordenadores pedagógicos, gestores; que há necessidade de se priorizar a busca da unidade entre o que se planeja e o que se realiza; que o planejamento escolar deve partir da realidade concreta e estar voltado para atingir as finalidades da educação básica definidas no projeto coletivo da escola.
Qual ensino médio? Qual currículo?
Currículo e conhecimento escolar
“O currículo tem que levar em consideração o conhecimento local e cotidiano que os alunos trazem para a escola, mas esse conhecimento nunca poderá ser uma base para o currículo. A estrutura do conhecimento local é planejada para relacionar-se com o particular e não pode fornecer a base para quaisquer princípios generalizáveis. Fornecer acesso a tais princípios é uma das principais razões pelas quais todos os países têm escolas”. (YOUNG, Michael. Para que servem as escolas. 2007, p. 13)

Reflexão e Ação
As decisões sobre o currículo se instituem como seleção. Na medida em que se trata de uma seleção, e que esta não é neutra, faz-se necessário clareza sobre quais critérios orientam esse processo de escolha. Promova um debate entre os professores participantes deste curso tendo como tema a seguinte questão: “Que relações existem entre o que eu ensino e o mundo do trabalho, da ciência, da tecnologia da cultura?”Registre esse debate e compartilhe as conclusões em suas redes de contato.


Reflexão e ação
Reconhecemos a complexidade das propostas das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Por essa razão, propomos que se reserve um tempo para a leitura e aprofundamento:
1) Ler e analisar as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (Parecer CNE/
CEB 05/2011 e Resolução CNE/CEB nº 02/2012 disponíveis em: <http://portal.mec.gov.br/index.
php?option=com_content&id=12992:diretrizes-para-a-educacao-basica)>;
2) Organizar uma roda de conversa com os professores da escola sobre as DCNEM.
3) Sistematização: quais as proposições que mais geraram debate? A que você atribui que tenham sido essas as questões mais polêmicas?
4) Faça o registro dessa atividade e socialize com os demais professores cursistas.


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