segunda-feira, 22 de setembro de 2014

RESULTADOS AVALIE 2011 - 2012 - 2013



























4º Encontro de AC –23 a 25.09.14 - EIXO II

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA – SEC
PACTO ENSINO MÉDIO

EIXO II – CURRICULO ESCOLAR EMANCIPATÓRIO E SUAS IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA PEDAGÓGICA.
Colégio Estadual Fred Gedeon – Floresta Azul – Direc 07
Professor Orientador: Genivaldo Pereira dos Santos

4º Encontro de AC –23 a 25.09.14

RELATÓRIO DAS ATIVIDADES REALIZADAS NO ENCONTRO E DAS ATIVIDADES DE ESTUDO INDIVIDUAL

  1. Apresentação das discussões resultantes do estudo das DCNEM
  2. Plenária sobre as DCNEM
  3. Elaboração da Atividade Reflexão e Ação (PP. 38 ) do caderno 4, focando a partir dos cursistas e áreas de conhecimentos da elaboração de uma proposta curricular onde a finalidade da atividade  é que professores cheguem à seleção de conteúdos de ensino e à organização em componentes curriculares,  orientada pelo princípio da relação entre ensino e produção
  4. Como estudo individual, foi combinado : Conhecer a proposta curricular da sua Unidade de Ensino.





3º Encontro de AC –16 a 18.09.14 - EIXO II

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA – SEC
PACTO ENSINO MÉDIO

EIXO II – CURRICULO ESCOLAR EMANCIPATÓRIO E SUAS IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA PEDAGÓGICA.
Colégio Estadual Fred Gedeon – Floresta Azul – Direc 07
Professor Orientador: Genivaldo Pereira dos Santos

3º Encontro de AC –16 a 18.09.14

RELATÓRIO DAS ATIVIDADES REALIZADAS NO ENCONTRO E DAS ATIVIDADES DE ESTUDO INDIVIDUAL

  1.  Reunimo-nos para realizarmos a Continuação (Revisão) da discussão do Caderno IV (Plenária) - ÁREAS DE CONHECIMENTO E INTEGRAÇÃO CURRICULAR. – Seguido de Leitura/Discussão e registros para possíveis discussões futuras.
  2. Elaboração da Atividade Reflexão e Ação (p. 27) -  Cartas a Théov de Vincent Van Gogh do Caderno IV focando os itens: Destaque as dimensões da cultura, do trabalho, da ciência e da tecnologia presentes nesse trecho da obra e De que forma ele poderia ser  incorporado como material para discussão em sala de aula? Em que contexto e  com qual objetivo?
  3. Discussão sobre as DCNEM
  4. Estudo individual - Pesquisar na WEB sites, artigos, vídeos que tratam da temática currículo.






2º Encontro de AC –09 a 11.09.14 - EIXO II


SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA – SEC
PACTO ENSINO MÉDIO

EIXO II – CURRICULO ESCOLAR EMANCIPATÓRIO E SUAS IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA PEDAGÓGICA.
Colégio Estadual Fred Gedeon – Floresta Azul – Direc 07
Professor Orientador: Genivaldo Pereira dos Santos

2º Encontro de AC –09 a 11.09.14

RELATÓRIO DAS ATIVIDADES REALIZADAS NO ENCONTRO E DAS ATIVIDADES DE ESTUDO INDIVIDUAL

  1. A partir da leitura realizada sobre as DCNEM, fizemos uma discussão informal onde cada um pontuou a respeito das mesmas, fazendo um breve relato da importância e utilidade dessas diretrizes na condução do Ensino Médio com registros realizados pelos cursistas por área.
  2. Discussão a respeito das disciplinas escolares e a integração curricular com ênfase às Ações e Reflexões do Caderno III, pontuando e registrando todas as intervenções realizadas para um paralelo com a prática educacional de cada um. Um parâmetro para situar a importância da integração curricular na Unidade Escolar.
  3. Como estudo individual ficou determinado: Conclusão da leitura sobre os DCNEM e dos registros sobre Currículo ( em grupo por área). Importância e utilidade desse currículo na condução do Ensino Médio.






1º Encontro de AC – 02 a 04.09.14 - EIXO II

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA – SEC
PACTO ENSINO MÉDIO

EIXO II – CURRICULO ESCOLAR EMANCIPATÓRIO E SUAS IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA PEDAGÓGICA.
Colégio Estadual Fred Gedeon – Floresta Azul – Direc 07
Professor Orientador: Genivaldo Pereira dos Santos

1º Encontro de AC – 02 a 04.09.14

RELATÓRIO DAS ATIVIDADES REALIZADAS NO ENCONTRO E DAS ATIVIDADES DE ESTUDO INDIVIDUAL

  1. Fizemos uma discussão geral – Revisão do Caderno III com as intervenções feitas em todos os nossos encontros onde estudamos e discutimos o referido caderno. Pontuando as reflexões e ações das atividades propostas fazendo uma intermediação com a prática pedagógica.
  2. Realizamos um estudo sobre Curriculo Link: http://educador.brasilescola.com/orientacao-escolar/curriculo-no-contexto-escolar.htm - Acessado em 30.08.14 onde fizemos uma oficina a partir de acróstico a respeito do tema onde cada cursista fez as abordagens e registros necessários. Um momento de intervenções sobre a importância do currículo e das suas principais características.
  3. Como estudo individual foi proposto a leitura das DCNEM tendo um foco para as prncipais diretrizes.








CADERNO III -PÁGINAS 17 - 34 E 44

COLÉGIO ESTADUAL FRED GEDEON
PACTO PELO FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO – 2014
ORIENTADOR: GENIVALDO PEREIRA DOS SANTOS
FORMADOR: JOSÉ ROBERTO

Socialização feita pelos cursistas. Uma discussão bastante rentável e com muitas intervenções.

CADERNO III
Promova um debate entre os professores participantes deste curso tendo como tema a seguinte questão: “Que relações existem entre o que eu ensino e o mundo do trabalho, da ciência, da tecnologia da cultura?” Registre esse debate e compartilhe as conclusões em suas redes de contato. (pag. 17)

Ensino sempre pensando na concepção de que o jovem atual é dinâmico e tem um olhar sempre à frente do tempo, principalmente em relação à ciência e a tecnologia, ensinar a estes jovens se torna um processo também dinâmico e novo todos os dias. O professor precisa está sempre conectado no mundo dos jovens para tornar essa relação de ensino prazerosa e eficiente com finalidade a realidade vividas, mas para isso o ensino tem que está relacionado ao mundo do trabalho, da ciência e da tecnologia da cultura de forma integral. O ensino pelo ensino não tem muito sentido se não há uma integração da realidade com o currículo escolar. Não é preparar o aluno para o mundo do trabalho ou para uma concorrência por uma vaga na universidade, mas preparar o jovem para o mundo com todas as suas relações políticas, econômicas, sociais e culturais e mais tecnológicas, é preciso compreender essa realidade para colocar em prática as determinações das Diretrizes Currículares do Ensino Médio de forma a desenvolver um trabalho de formação humana que contemple todos os jovens. Os jovens ‘se apropriam do social e reelaboram práticas, valores, normas e visões de mundo a partir de uma representação dos seus interesses e necessidades; interpretam e dão sentido ao seu mundo’.
   Não deve em momento algum provocar o abandono do conteúdo em si nas situações de ensino. Mas sublinho uma educação voltada para a demanda, resgatando na dimensão crítica de cada conhecimento. O processo inclui uma reação/sujeito, que supõe a reelaboração e a ampliação desse conhecimento, criando possibilidade e ação. A linha de ação pedagógica assumida incide numa ampliação de visão na qual o ensino supera a forma conteudista que sempre o caracterizou.
    Dessa forma como é organizada a disciplina, caracteriza a relevância em aproximar o aluno da interação com a ciência e com a tecnologia em todas as dimensões da sociedade, considerando-se as suas relações recíprocas, oportunizando-se ao educando uma concepção ampla e humanista do contexto científico-tecnológico. Incitando os alunos a exercerem a sua cidadania com um olhar diferenciado sobre a educação e sobre seu papel enquanto cidadão.

Que relações você estabelece entre essas “finalidades” e o que é praticado nas escolas, considerando sua experiência como aluno e como professor?
Refletir: essas finalidades não são “disciplinares”, mas emergem da contribuição que cada disciplina, cada área, cada experiência vivida dentro e fora da escola oferece no processo formativo ao longo da vida. Em vista dessa consideração, escreva um texto no qual você evidencie as contribuições do que você ensina para o desenvolvimento da autonomia intelectual e moral de seus alunos. (pag 34)

Todas as finalidades citadas são consideradas relevantes no processo de ensino-aprendizagem na minha experiência enquanto professora, essa finalidades são resultantes do que pretendemos desenvolver nos alunos, no entanto encontramos desafios no decorrer do processo educativo para alcançá-las, principalmente hoje num mundo globalizado, onde o professor precisa sempre está atento as mudanças e inovações sociais, políticas e econômicas, mas também tecnológica. Para tanto faz-se necessário a construção da autonomia pautada nas trocas sociais e interindividuais e na cooperação entre os pares num sistema de operações executadas em comum ou por reciprocidade. Partindo do pressuposto de que a construção da autonomia intelectual do aluno está em dependência das atividades que ele estabelece ao longo de sua vida na escola e fora dela, torna-se necessário e fundamental conhecer como ele constrói o conhecimento para que se entenda a natureza das interações que o aluno estabelece a partir do que vivenciou.
Olhar o aluno em termos de suas potencialidades, não quer dizer simplesmenteignorar seus erros, mas sim dar importância adequada a eles. Quando um aluno é condenado por seus erros, exagera-se a importância destes mesmos erros. Quando, por meio dos erros, verifica-se qual o processo que o aluno está adotando na busca pelo conhecimento e adaptam-se os métodos às capacidades cognitivas do aluno, tem-se uma atitude pedagógica coerente com uma postura preocupada com um desenvolvimento pleno e rico.
Na verdade, o desenvolvimento tanto da autonomia quanto da criatividade nos alunos são pressupostos desejáveis de uma educação de qualidade. Entretanto, para que se consiga atingir tal objetivo é preciso que os professores mudem sua visão de educação. A postura tradicional de cópia, de repetição e de atribuição dos conhecimentos ao professor ("o detentor do saber", aquele que vai "dar" o conhecimento para o passivo aluno que vai "receber" o que já está pronto e acabado) precisa ser substituída por uma atuação mais marcante do aluno na construção de seu próprio saber. A pesquisa necessita ganhar cada vez mais espaço na escola e o conhecimento deve ser visto com algo a ser construído por ambos: professor e aluno.
O papel do professor na construção da autonomia intelectual, deve estabelecer um vínculo mediador e assim pouco a pouco despertar a autonomia em seus educandos.Despertando uma atitude crítica e clara em relação a que tipo de sociedade queremos construir e que tipos de opções políticas, sociológicas e filosóficas nos são necessárias para ajudar a construir essa sociedade almejada. Para isso precisamos construir sujeitos curiosos e autônomos.
     A formação da moral autônoma tem grandes contribuições na aprendizagem das crianças com resultados que podem ser observados desde a infância até a vida adulta do indivíduo.
     A educação moral deve partir do desenvolvimento intelectual do indivíduo e ter uma vida social intensa. Apoiar as manifestações das opiniões e atitudes dos jovens, deve-se respeitar a autonomia e a dignidade do ser educando.
     Concluímos que a formação da moralidade influi na educação, e que ao analisarmos suas duas formas de desenvolvimento na infância, podemos afirmar que a formação da moral autônoma é a mais apropriada para o melhor aprendizado das crianças e jovens para sua formação social e como cidadãos ativos na sociedade.
     A autonomia moral como meta na educação procura estabelecer como a formação da moral autônoma nos jovens. Pois é através da educação que formaremos sujeitos críticos, libertos, autônomos e capazes de formarem sujeitos humanos, dotados de amor e sabendo acolher o diferente, pois é na diferença que a autonomia acontece.
3. Organize uma roda de diálogo com os jovens alunos da escola e com seus colegas professores; – sobre o currículo da escola; sobre o currículo vivido por estes alunos; sobre o sentido do conhecimento escolar, das experiências vividas mediadas por esse conhecimento e sobre a necessidade de outros conhecimentos e abordagens; conduza de modo a fazer emergir propostas, sugestões de outros encaminhamentos para o currículo, para as disciplinas e para outros arranjos curriculares, considerando as dimensões do trabalho, da ciência, da cultura e da tecnologia. Sistematize as conclusões e socialize seus registros em redes virtuais interativas. (pag 44)

Desde as origens da educação, entendida sob a ótica da prática formal escolar, discutiu-se, mesmo que sob outras nomenclaturas e não necessariamente usando um conceito de currículo, quais conhecimentos, valores, comportamentos e habilidades aquela instituição deveria disponibilizar aos educandos.
É possível constatar-se como as propostas curriculares foram se alterando nos seus fundamentos filosóficos, quanto aos ideais pedagógicos, em relação à concepção de homem e, principalmente, no que diz respeito aos conhecimentos a serem socializados.
Em educação, gradativamente, o Estado passou a discursar em prol da formação de um cidadão. E, qual seria o currículo escolar mais adequado para se formar um cidadão?
Partindo dessa pergunta alunos e professores discutiram sobre qual o currículo pode ser elaborado buscando um resultado integral e de autonomia intelectual, mas que consiga abranger todas as necessidades exigidas pela sociedade nesse “novo” momento social, segundo muitos defensores, pede um novo conjunto de conhecimentos que expressem a complexidade da sociedade globalizada, cheia de novidades interessantes para os jovens, assim com a colaboração de todos conseguiu-se chegar a uma conclusão.
O currículo precisa ser claro e trazer a modernidade tecnológica na sua base, mas também ser multidisciplinar, e com isso todos os professores precisam ter mais conhecimento das outras disciplinas para que as aulas não sejam tão “recortadas”. Para isso é importante que sejam oferecidas formações práticas à todos os professores, e esse currículo não fique apenas na fala e no papel, pois muitos professores tem o conhecimento do que é multidisciplinar, mas no momento da prática isso não acontece, são sempre utilizadas as velhas “gavetinhas” das disciplinas.
O uso dos novos recursos tecnológicos existentes na escola com maior freqüência, mas com aulas planejadas e dinâmicas e não apenas passar slides na TV PENDRIVE cheios de textos sem nenhuma conexão com o mundo e como se fosse um livro na TV.
É preciso organizar um currículo que desenvolva no educando atitudes como:
·         Estabeleça interação com as linguagens do seu tempo, analisando criticamente o poder das tecnologias de comunicação, tornando-se não apenas um receptor, mas um produtor de significados.
·         Reconheça que grupos humanos tem características distintas, diferentes de um lugar para o outro, mas que trazem o sentido do universal que os faz integrantes da humanidade, provocando responsabilidades mútuas neste planeta.
·         Compreenda o trabalho como atividade fundamental do ser humano, entendendo a atividade produtora como constituinte da própria identidade pessoal na transformação da sociedade.
·         Incorpore princípios éticos que promovam mudanças fundamentais, criando-se uma nova relação que integre trabalho/ produção/ prazer/ qualidade de vida favorecendo uma leitura crítica e uma ação transformadora sobre a relação trabalho/ exploração/ consumismo.
·         Compreenda as relações de interdependência entre os seres, desenvolvendo ações orientadas para a transformação do meio ambiente físico, social e cultural que garantam condições mais plenas de vida cidadã para todos.




RESUMO - CADERNO VI - EIXO I

COLÉGIO ESTADUAL FRED GEDEON
PACTO PELO FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO – 2014
ORIENTADOR: GENIVALDO PEREIRA DOS SANTOS
FORMADOR: JOSÉ ROBERTO
CADERNO VI

AVALIAÇÃO NO ENSINO MÉDIO

- Avaliação educacional: uma introdução

A avaliação da aprendizagem, conforme a Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, pode ser adotada com vistas à promoção,  aceleração de estudos e classificação, e deve ser  desenvolvida pela escola refletindo a proposta  expressa em seu projeto político-pedagógico.  Importante observar que a avaliação da aprendizagem deve assumir caráter educativo, viabilizando especialmente ao estudante a condição de analisar seu percurso e ao professor e à escola identificar dificuldades e potencialidades individuais e coletivas.
A avaliação institucional, via de regra interna, é realizada a partir da proposta pedagógica da escola, assim como dos planos de trabalho e de ensino, que devem ser avaliados sistematicamente, de maneira que a instituição possa analisar seus avanços e localizar aspectos que merecem reorientação.
A avaliação externa de escolas e redes de ensino é responsabilidade do Estado, seja realizada pela União, seja pelos demais entes federados. Em âmbito nacional, no Ensino Médio,
ela está contemplada no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), com resultados de Língua Portuguesa e de Matemática, com foco em  leitura e resolução de problemas respectivamente, que, juntamente com as taxas de aprovação,  são utilizados no cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), instituído com o propósito de medir a qualidade de cada  escola, no caso do ensino fundamental público, e de cada rede, ainda que essa concepção de qualidade, como uma das polêmicas do Ideb, possa ser considerada limitada.

Tal perspectiva de avaliação contrapõe-se ao senso comum de conceber a avaliação como sinônimo de medida ,prova, e tendo como função a classificação e a hierarquização, consequência de uma concepção que vê a formação e a educação como “bem privado” que deve nos conduzir ao sucesso individual. Seria necessário, portanto, perseguirmos o desafio de tornar senso comum outra noção de avaliação, ou seja, percebê-la como parte integrante dos processos de ensino e aprendizagem, com funções diagnóstica, formativa e somativa.
Uma possível primeira resposta seria que queremos e trabalhamos por educação de qualidade. Mas este conceito – da qualidade educacional – é polissêmico, tanto do ponto de vista pedagógico, quanto do social e político, não podendo ser analisado fora da totalidade do contexto histórico e da realidade das relações sociais. A qualidade da educação é “um fenômeno complexo que possui determinações intraescolares — currículo, formação docente, gestão escolar, avaliação da aprendizagem, condições de
trabalho, infraestrutura das escolas etc.  — e extraescolares - condições de vida da população, capital econômico, cultural e social das famílias dos alunos, entorno social da escola,distribuição de renda, violência, entre outros” (CARTA DE CAMPINAS, 2011, p. 1). Portanto, de início, demarcamos que seria equivocado utilizar e relacionar exclusivamente a avaliação como a única prática escolar capaz de garantir ou revelar a qualidade do processo de escolarização. Ou ainda, seria uma ilusão social acreditar que avaliar os sistemas de ensino garantiria sua qualidade.

No plano das políticas públicas, que devem conceber a educação como um bem público e direito dos jovens, a prática da avaliação, como recurso para compreensão do fenômeno educacional, deve estar salientada na perspectiva de um ensino médio integral voltado para a construção da autonomia, da cidadania, da solidariedade, da identidade nacional e da responsabilidade social.
Em termos educacionais, a avaliação é uma prática social carregada de valores, extremamente complexa, tanto epistemológica, técnica, ética bem como politicamente. É condição
que seja integrada à proposta político-pedagógica do nível/modalidade que se aplica, no caso, o ensino médio, e coerente com a concepção de formação que propomos aos nossos jovens na etapa da educação em discussão, alinhada com os objetivos de uma formação integral.

A necessidade de encarar a avaliação vinculando-a ao desafio da aprendizagem deriva do esforço de desvinculá-la dos mecanismos de aprovação ou reprovação e, mais importante, destaca outra finalidade da avaliação educacional, em que se concentra sua verdadeira dimensão política; pois, numa escola que se pretenda democrática e inclusiva, as práticas avaliativas deveriam se pautar por garantir que, no limite, todos aprendam tudo, ainda mais quando nos reportamos ao ensino fundamental e ao ensino médio, etapas obrigatórias por força da lei ou por pressões sociais. Essa obrigatoriedade é assim fixada, entre várias razões, para que a ninguém seja dado o direito de se excluir de conhecimentos considerados indispensáveis para o aproveitamento de outros direitos, e como condição para uma vida mais autônoma. Admitindo-se por hipótese — hipótese,  evidentemente, não exaustiva do complexo fenômeno escolar que o que a escola faz é o que faz a escola, coloca-se o questionamento sobre os impactos das práticas avaliativas das escolas, inclusive na constituição de um currículo oculto, algo marcante para a construção de representações sobre a escola e de suas conexões com sua democratização, que não pode ficar restrita à eliminação da reprovação evidentemente, um obstáculo à universalização da
Escola. É necessária a condução ao debate mais profundo sobre as causas da seletividade escolar, que, por seu turno, faz da avaliação sobretudo aquela concentrada no final dos períodos letivos para fins de decisão acerca da promoção para a série seguinte ou da reprovação -Mum processo relevante e revelador da natureza social excludente da escolarização
Formação de Professores do Ensino Médio tarefas (itens) baseadas em matrizes de avaliação construídas em torno de habilidades e competências que os alunos deveriam desenvolver em determinados momentos do processo de escolarização. As avaliações externas permitem as equipes escolares possam efetuar dois movimentos: um, de comparação consigo mesma, por conta das séries históricas, e outro em relação a outras escolas do Estado, da região ou do Brasil, conforme os dados aos quais tenha
acesso. Com a ressalva de que essas avaliações não têm como objeto toda a riqueza curricular das escolas em função dos instrumentos utilizados, como é o exemplo das provas padronizadas sobre leitura; elas concentram-se em objetos que as provas padronizadas podem abarcar, o que não lhes tira a importância, mas não lhes confere o poder que querem imputar em alguns casos. Eis porque, mesmo que bem elaboradas, suas matrizes de avaliação, ou matrizes de referência, como também são denominadas, não podem ser tomadas como proposta curricular, porém apenas como um referencial. Evidentemente, os resultados das avaliações externas podem e devem ser utilizados como parte do processo de avaliação do projeto educacional de cada escola e, por isso, vêm a alimentar sua avaliação institucional.

Reflexão e ação – Pág. 17 - 18
A partir de sua formação inicial e continuada e de sua experiência docente, discuta e reflita com colegas de outra área distinta as questões abaixo (sugerimos pequenos grupos de 3 professores de áreas bastante distintas, por exemplo, Educação Física, Matemática e Sociologia):
– quais têm sido os maiores desafios no campo da avaliação educacional?
– qual sua concepção de avaliação e como ela se constituiu na sua trajetória docente?
-Avaliação da aprendizagem: algumas questões

A avaliação da aprendizagem, que, por conta das avaliações externas, passa a ser denominada também de avaliação interna, engloba três momentos extremamente relevantes para o desenvolvimento curricular, como salientado em Perrenoud (1999).
a) Inicial: quando é conduzida, preferencialmente, antes do início do ano letivo ou de um novo tópico de ensino. Configura a avaliação com função diagnóstica, que permite aos professores, em decorrência dos resultados, refletirem sobre a programação das atividades e correspondentes materiais de apoio a serem desenvolvidas com seus alunos, inclusive para trabalharem com as possíveis diferenças entre os alunos, em cada turma e na escola como um todo.
b) Intermediário: quando é desencadeada durante o desenvolvimento do programa curricular. Configura a avaliação com função formativa, que deve, entre outros aspectos, favorecer a revisão das estratégias de ensino e eventuais ajustes nas atividades planejadas, servindo, igualmente, para que os alunos tomem consciência de seus progressos e dificuldades, contribuindo para que se tornem sujeitos plenos de suas aprendizagens.
Essa avaliação pode ser tomada como uma avaliação para a aprendizagem, pois se organiza com vistas às iniciativas que os professores devem desencadear para que as aprendizagens ocorram enquanto a proposta curricular ainda está em desenvolvimento no período letivo, por isso é que se trata de uma avaliação que ocorre durante a ação docente.
c) Final: quando é desencadeada ao final do ano letivo ou de um tópico de ensino.
Configura a avaliação com função somativa, que se reveste de grande utilidade, pois seus resultados permitem julgar o aprendizado, isto é, o ganho de cada aluno, turma e escola, supondo-se que tenham sido estabelecidos os patamares no início do processo. Essa função avaliativa alimenta, também, a avaliação de currículos e programas, fornecendo indicações de atividades a serem (re)pensadas pela equipe escolar no prosseguimento do processo de aprendizagem, quer para ações suplementares – quando é o caso de tópicos dentro de um ano letivo –, quer para o próximo ano, ganhando ares de avaliação diagnóstica.
Raphael (1995, p. 34), diante da polêmica sobre o lugar dos procedimentos técnicos da avaliação em face de suas dimensões políticas, salienta que
A qualidade técnica de um processo avaliativo reside, essencialmente, no aprimoramento dos instrumentos utilizados. Estes instrumentos têm o objetivo de obter dados de medida que formarão um conjunto ao qual será atribuído o juízo de valor. Estes dados que servirão ao julgamento necessitam ter qualidades técnicas para que o juízo seja aceitável. Devem ainda ser coerentes com a totalidade do processo, pois nesta fase são decididas questões como: para que servem os dados? Que informações são necessárias? Como serão obtidas as informações? A quem caberá esta tarefa?
Vale ressaltar que uma atividade avaliativa não quer dizer uma atividade isolada ou de curta duração, pois é sua relação com aquilo que queremos avaliar que determina a duração da mesma, o que inclui a possibilidade de distribui-la no tempo. Por exemplo, o fato de um aluno escrever uma vez uma palavra de forma errada não necessariamente indica que não saiba escrevê-la, podem ocorrer descuidos ou pequenas confusões. Por conseguinte, é necessário observar outras produções da mesma palavra – ou palavras semelhantes – para que possamos afirmar que o aluno sabe – ou não – escrevê-la ou que domina a habilidade subjacente à sua escrita

Reflexão e Ação Pág. 28
Em consulta ao projeto político-pedagógico e aos planos de ensino (aos quais você possa ter acesso) de sua escola, procure identificar os seguintes elementos:
– Definição(ões) de avaliação da aprendizagem encontrada(s).
– Quais os instrumentos e procedimentos mais utilizados.
– Critérios para atribuição de notas ou conceitos e de aprovação.
– Instâncias e participantes para definição da situação de cada aluno ao final do ano letivo.
– Outras observações que considere relevantes para a discussão de avaliação da aprendizagem
- Avaliação e taxas de rendimento: uma relação a ser problematizada

Como destacado em Moraes e Alavarse (2011), a avaliação do ensino médio não necessariamente deve seguir o modelo que considera apenas o desempenho de seus alunos em avaliações externas, mas também, procurar por outros aspectos, entre os quais se encontram as taxas de rendimento, que compreendem as taxas de aprovação, reprovação e abandono apuradas ao final de cada período letivo. Ou as taxas de distorção idade-série e as taxas líquida e bruta de matrícula.
As taxas de rendimento no ensino fundamental e médio brasileiros indicam uma realidade preocupante, pois exemplificariam que
o direito à educação penosamente conquistado estaria sendo negado na prática, com várias consequências negativas, mais ainda para alunos com nível socioeconômico mais baixo.

[...] a qualidade da aprendizagem na educação básica não depende tanto do regime de avaliação quanto da organização curricular.
[...] é incontestável que também o discurso curricular deva contribuir para a melhoria do sucesso educativo do aluno, principalmente nos seguintes aspectos: currículo centrado nos alunos; diferenciação da aprendizagem; concretização dos apoios educativos; adaptações curriculares e  Curricula alternativos; perfil do aluno, com a identificação das competências básicas; estrutura curricular flexível; programas adequados, organização do conhecimento baseada em projetos curriculares integrados.

Entretanto, é possível concebermos uma perspectiva de avaliação cuja vivência seja marcada pela lógica da inclusão, do diálogo, da construção da autonomia, da mediação, da participação, da construção da responsabilidade com o coletivo.
Tal perspectiva de avaliação alinha-se com a proposta de uma escola mais democrática, inclusiva, que considera as infindáveis possibilidades de realização de aprendizagens por parte dos estudantes. Essa concepção de avaliação parte do princípio de que todas as pessoas são capazes de aprender e de que as ações educativas, as estratégias de ensino, os conteúdos das disciplinas devem ser planejados a partir dessas infinitas possibilidades de aprender dos estudantes

Reflexão e Ação – Pág. 38-39
Após ter visto alguns dados nacionais sobre as taxas de rendimento, procure levantar os dados de sua escola e, sobre eles, observe os seguintes questionamentos:
– Quais são os dados e taxas de rendimento de sua escola?
– O que esses dados lhes revelam?
– Como esses dados são discutidos entre os professores?
– Existe, na escola, algum debate sobre eventuais relações entre as taxas de rendimento e a avaliação da aprendizagem nas disciplinas ou em algumas das disciplinas?
– Existe, na escola, algum debate sobre eventuais relações entre as taxas de rendimento e a avaliação da aprendizagem nas disciplinas ou em algumas das disciplinas?
- Avaliações externas: novos desafios e tensões

As experiências iniciais de avaliações ex-ternas, até mesmo fora do Brasil, foram justificadas como necessárias para monitorar o funcionamento de redes de ensino, além de fornecer subsídios para seus gestores na formulação de políticas educacionais com dados melhor definidos em termos dos resultados que, por sua vez, decorreriam das aprendizagens dos alunos. Não necessariamente essas avaliações tinham como foco cada escola das redes avaliadas, especialmente nos casos em que se recorria às avaliações por amostragem.
Por iniciativa do Ministério da Educação (MEC), tivemos no início dos anos 1990 a criação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), desdobrado em 2005 na Avaliação Nacional do
Rendimento Escolar(Anresc), denominada Prova Brasil, e na Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb), que, por sua vez, se articulam, em 2007, com o Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb), como exposto por Fernandes (2007). Com efeito, o debate educacional brasileiro, particularmente envolvendo o ensino fundamental e o ensino médio, incorporou como duas características marcantes as avaliações externas e a qualidade da educação escolar, pois esta passa a ser considerada por parte de gestores, mesmo que sem um consenso na comunidade educacional, como expressão dos resultados daquelas avaliações, como apontaram Oliveira e Araujo (2005).

Ressalte-se que no cálculo do Ideb são incorporadas as taxas de aprovação de todas as séries de cada uma das etapas anos iniciais e anos finais do ensino fundamental e ensino médio , apuradas pelo Censo Escolar, e a proficiência média em leitura e resolução de problemas dos alunos da última série de cada uma das etapas avaliadas, estimadas pelo Saeb, sendo que para
o ensino fundamental a participação de escolas públicas na Prova Brasil é censitária para alunos e escolas, e para o ensino fundamental de escolas privadas e de todo o ensino médio é amostral por estratos, sendo que em cada Estado são escolhidas aleatoriamente escolas que representam cada uma das dependências administrativas federal, estadual, municipal e privada. Paralelamente a essa avaliação conduzida pelo Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), identificamos em várias redes estaduais e municipais iniciativas no sentido de criarem suas próprias avaliações externas.

Outro exemplo, extremamente relevante, no que tange às avaliações externas, é o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que vem ocupando lugar privilegiado nas políticas educacionais, com fortes indícios de suas influências no currículo de escolas do ensino médio, somado aos possíveis impactos na educação de jovens e adultos (EJA) pelo fato de que esse exame incorporou funções antes destinadas para o Exame Nacional de Certificação de Competências da Educação de Jovens e Adultos (Encceja)

Como aspecto potencialmente positivo, podemos considerar que, com as avaliações externas, a gestão de escolas e redes passa a incorporar indicadores de desempenho como mais um elemento para o conhecimento de suas realidades e, assim, pode estabelecer metas mais precisas e elencar prioridades de intervenção parametrizadas numa realidade mais ampla, envolvendo a comparação, a depender da avaliação externa referenciada, com resultados do País, do Estado e do município. Salientando-se, contudo, que as medidas resultantes dessas avaliações as estimativas de proficiência não se constituem, por si só, em avaliação, pois uma medida indica o quanto se atingiu numa determinada escala e a avaliação é o julgamento desse resultado em função de critérios, para os quais a interpretação
pedagógica é parte insubstituível do processo avaliativo, que, também, deve levar em consideração as condições específicas de cada rede e escola, reforçando a importância da avaliação institucional, como ilustrado em Blasis, Falsarella e Alavarse (2013) e Oliveira (2008) pelas indicações que fornecem quanto às aprendizagens que são relevantes para as trajetórias escolares de seus alunos.
No terreno das avaliações externas, reiteramos que o Enem passa a ser a pedra de toque para o ensino médio, diante do aparente pequeno impacto do Saeb. Mas, como Sousa (1999), Sousa e Alavarse (2009) e Vianna (2003) ponderam, mesmo que em momentos diferenciados, existem restrições para que o Enem seja utilizado para avaliar o ensino médio, tanto pelo fato de que sua matriz de avaliação não possa ser tomada como capaz de dar conta do conjunto das atividades curriculares dessa etapa da educação básica, quanto pelas considerações de que a avaliação do ensino médio em cada escola deve incorporar outros elementos para além do desempenho em provas padronizadas. De todo modo, não se pode descartar o impacto que esse exame passa ter no ensino médio quando se constata que o movimento acentuado que o constitui como um “vestibular” nacional, com fortes implicações para seus respondentes pelo ingresso direto na quase totalidade das universidades federais ou como complemento de vestibulares tradicionais em universidades federais e estaduais, ou ainda a utilização de seus resultados para concessão de bolsas na educação superior privada, via o Programa Universidade para Todos (Prouni).
Nesta perspectiva, as políticas públicas de educação e de avaliação devem ser pensadas no âmbito global das redes de ensino e no âmbito próprio das unidades escolares, considerando o conjunto das relações que são estabelecidas nos espaços entre as escolas, as famílias, os profissionais da educação e o poder público.


Reflexão e Ação – Pág. 50 - 51
Na avaliação institucional de sua escola, como têm sido abordadas as avaliações externas e como têm sido utilizados seus resultados?
– Existe algum tipo de atividade voltada para essas avaliações? Como, por exemplo, organização de simulados, laboratórios ou espaços de diálogos?
– Os alunos fazem comentários sobre o Enem? Se afirmativo, em que perspectiva?
– A organização dos planos de ensino, de alguma forma, tem levando em conta as matrizes de referência do Enem?



RESUMO - CADERNO V - EIXO I

COLÉGIO ESTADUAL FRED GEDEON
PACTO PELO FORTALECIMENTO DO ENSINO MÉDIO – 2014
ORIENTADOR: GENIVALDO PEREIRA DOS SANTOS
FORMADOR: JOSÉ ROBERTO
CADERNO V

ORGANIZAÇÃO E GESTÃO  DEMOCRÁTICA DA ESCOLA

- Gestão democrática da educação e gestão democrática da escola

Entendemos que a gestão da educação e a gestão da escola se interpenetram e se definem mutuamente. A produção da gestão escolar democrática é muito difícil no contexto de processos não democráticos de gestão da educação.
A existência de um razoável nível de democratização desta (como acontece no Brasil) cria condições para algumas formas de democratização daquela e vice-versa (por exemplo, por meio da legislação, da Constituição Federal, da LDB), embora isso não seja suficiente. Partimos da hipótese de que a democratização da gestão escolar pode levar a proposições que resultem em,pelo menos, sugestões para a produção de novos documentos legais e, principalmente, a estímulos  para a revisão de práticas gestoras em outras escolas, que facilitem o acesso de todos a uma educação de qualidade
Bem sabemos que a efetiva realização da gestão democrática dos sistemas de ensino e das escolas não depende somente da legislação, ainda que esta seja uma dimensão fundamental. A gestão democrática é processo de construção social que requer a participação de diretores, pais, professores, alunos, funcionários e entidades representativas da comunidade local como parte do aprendizado coletivo de princípios de convivência democrática, de tomada de decisões e de sua implementação. Processo esse que reconhece a escola como espaço de contradições, diferenças e encontros, o qual valoriza a cultura e a dinâmica social vividas na escola, buscando articulá-las com as relações sociais mais amplas. Nesse sentido, “quando buscamos construir na escola um processo de participação baseado em relações de cooperação, no trabalho coletivo e no partilhamento do poder, precisamos exercitar a pedagogia do diálogo, do respeito às diferenças, garantindo liberdade de expressão, a vivência de processos de convivência democrática, a serem efetivados no cotidiano, em busca da construção de projetos coletivos”(BRASIL/MEC/SEB, 2004, p. 26).

- Gestão democrática da escola pública e autonomia: origens e contextualização
É possível constatar que o problema do  estabelecimento de medidas ou de políticas sem ouvir diretamente os interessados está relacionado, de um lado, ao argumento de que, dadas as dimensões do país e de sua população, é difícil fazê-lo. Daí as eleições em diversos níveis, por meio das quais escolhemos vereadores, deputados, senadores, prefeitos, governadores e o presidente, dos quais se espera a representação de forma ética e responsável e aos quais é delegada a incumbência de elaborar leis e de implementá-las, com a colaboração de ministros e secretários, o que define hierarquias de responsabilidade e de poder. É com base nessas prerrogativas e nesse poder que se elaboram e se definem políticas, não só de educação, mas também de saúde, habitação, saneamento, transportes, etc., às vezes até ouvindo a população por meio de abaixo-assinados ou de manifestações de representantes mais próximos delas, como sindicatos, associações, etc. A isso se chama democracia representativa
.Por mais difícil que seja e ainda que apresente problemas bem conhecidos (personalismos, corrupção, etc.)é melhor a presença do que a falta dela, pois significaria deixar as decisões nas mãos de uma pessoa ou de um pequeno grupo. A expressão “gestão democrática da escola pública” foi legalizada pela Constituição Federal de 198 (inciso VI do artigo 206) e referendada posteriormente pela LDB 9.394/96 (inciso VIII do artigo 3). Todavia, o começo da história, bem anterior, remonta pelo menos à década de 1950, quando a expressão nem fazia parte dos discursos escolares. Na época, a direção da escola era entendida como a única responsável pela administração escolar, ainda que a “participação” de pais e alunos recebesse alguma
valorização(evidentemente, em atividades “extracurriculares”).
Sempre existiu a discussão sobre democracia na escola? Quando começou este debate?
A expressão “gestão democrática da escola pública” foi legalizada pela Constituição Federal de 1988
(inciso VI do artigo 206) e referendada posteriormente pela LDB 9.394/96 (inciso VIII do artigo 3). Todavia, o começo da história, bem anterior, remonta pelo menos à década de 1950, quando a expressão nem fazia parte dos discursos escolares. Na época, a direção da escola era entendida como a única responsável pela administração escolar, ainda que a “participação” de pais e alunos recebesse alguma valorização(evidentemente, em atividades “extracurriculares”).
A “participação” dos pais resumia-se ao comparecimento às reuniões de pais e mestres, ao compromisso de alguns em fazer parte da diretoria da Caixa Escolar, que posteriormente se transformou em Associação de Pais e Mestres (APM), e em colaborar nas festas organizadas por ocasião de datas nacionais ou religiosas, colaboração essa que se estendia a outros familiares, inclusive seus filhos, alunos da escola. O primeiro tipo de “participação” justificava-se com argumentos pedagógicos. O segundo, para além de sua dimensão cultural, tinha por objetivo angariar fundos destinados a suprir necessidades financeiras da escola, não cobertas pelo Estado ou das quais as contribuições para a APM não conseguiam dar conta. Certamente tal “participação”, que pode ainda ser encontrada em muitas escolas, principalmente as do interior, nada tem a ver com “gestão democrática”, mas com exploração de trabalho. No entanto, era e é, quando ainda   ocorre, saudada como espaço de aproximação  e de cooperação entre escola e famílias, contribuindo para a criação de um clima de congraçamento que, embora desejável, não é a mesma coisa que gestão democrática e participativa

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Com um grupo de colegas, faça um levantamento das situações em que vocês se sentiram  excluídos(as) de decisões que afetam a vida da escola e o seu trabalho. Qual a origem dessa exclusão (de quem ou de onde partiu)? Quais os possíveis motivos para tal exclusão?Faça o mesmo para situações em que se sentiram incluídos(as) na tomada de decisões dessa mesma natureza.Quais os possíveis motivos dessa inclusão? Discuta com os colegas a que conclusões podem chegar a partir desse levantamento, tendo em vista a participação na gestão democrática da escola. Que posturas vocês estariam dispostos a assumir frente ao que concluíram?

- A direção da escola e a gestão democrática
As eleições para diretor garantem a democracia na escola? As discussões sobre a democratização da  gestão da escola pública se manifestaram a partir da década de 1980, sob a influência do processo de redemocratização do país que saía de uma ditadura, girando inicialmente em tor-no do cargo de direção por pressão da escola e da sociedade em Estados nos quais os diretores eram indicados pelo poder político mais próximo (prefeitos, vereadores) ou mais distante (governadores, deputados), implicando tal situação ingerência nas práticas escolares em benefício dos interesses do poder externo . Dourado (1998) esclarece que as formas mais comuns de provimento do cargo nas escolas públicas brasileiras dos anos 1980 compreendiam cinco categorias, das quais apenas uma poderia, a rigor, ser considerada mais próxima da gestão democrática: a escolha por meio de eleição direta.
Vitor Paro atribui os vários limites apontados à persistência da cultura tradicionalista que a tem marcado a escola. Não obstante, salienta, também, que o processo de eleição favorece a discussão e faz emergir e tornar transparentes os conflitos internos, estimula a relação da direção com as dimensões pedagógicas da gestão e, certamente, diminui o poder clientelístico de ocupantes de cargo de poder público. Nesse sentido, como indicado por Dourado (1998), há que entender a escolha livre da direção como apenas uma das alternativas para a produção da gestão democrática da escola.
Embora a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB
9.394/1996) garantam atualmente a gestão democrática do ensino público, a eleição de diretores de escolas públicas de educação básica não é objeto de definição legal no plano federal. A
Constituição Federal de 1988 dispõe, em seu artigo 37, alínea II, que “a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e
títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista  em lei,ressalvadas as nomeações para cargo em  comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração”, o que praticamente elimina a eleição de diretores nos sistemas públicos de ensino  brasileiro em que há concursos específicos para tal cargo.
A discussão anterior sobre a direção da escola pode deixar a falsa impressão de que a gestão democrática depende apenas da disposição desta para realizá-la. Conforme discutido anteriormente, a promoção da gestão democrática depende muito mais da disposição de todos que trabalham na escola para conversar sobre os problemas cotidianos vividos por ela. Tal disposição não resulta apenas de vontades pessoais nem, muito menos, de autorizações de órgãos superiores. Depende de um processo de construção, que é social. Portanto, depende da prática, implicando aprendizados da parte de todos os envolvidos, além de trabalho que não se resume à realização de reuniões. Aprendizados que envolvem desde a percepção do que é mais urgente, ou mais necessário, ou de alcance mais amplo, até formas de como articular reuniões, pautas de discussão e produção de argumentações
Promover a gestão democrática da escola implica dedicar tempo para a concretização de passo do processo de discussão e decisão. Certamente isso significa um ônus, pois torna mais pesada uma carga de trabalho já sobrecarregada, que tenderá a diminuir se mais pessoas se envolverem. É claro que todo processo que necessita da participação coletiva leva a uma carga de trabalho a mais, pois é necessário prever o tempo para a preparação das atividades (seja levantamento de dados ou preparo de relatórios/diagnósticos para a utilização na atividade coletiva, seja a leitura de textos diversos, o próprio planejamento da atividade e a sua realização, bem como os encaminhamentos dali extraídos). Tudo isso demanda envolvimento, tempo e trabalho, reflexão e execução dos participantes.Mas significa, por outro lado, a possibilidade de crescimento e formação, como cidadãos, tanto para professores, alunos e pais quanto para a direção e o corpo técnico. Além disso, quanto mais a prática da discussão e da tomada de decisões coletivas mostra resultados que beneficiam a escola, a qualidade do ensino e os que aí trabalham e estudam, mais a disposição para realizá-la se fortalece e, com ela, a própria gestão democrática. E, nesse aspecto, vale lembrar que à medida que o processo de gestão democrática se realiza, o seu fortalecimento demanda que sejam previstos os tempos e demais condições necessárias à sua plena realização, como atividades regulares e componentes das suas jornada , não um acréscimo a elas. Portanto, fazer a gestão democrática implica em algum trabalho, mas também em crescimento do coletivismo na escola.Quem começa a fazer a gestão democrática?
Reflexão e ação – Pág. 18
Junte-se a outros colegas e procure fazer um levantamento de situações vividas na escola pelos participantes do grupo que poderiam ser objeto de discussões sistemáticas e de decisões tomadas coletivamente em benefício da escola e/ou dos envolvidos. Se esse processo de discussão e decisão coletiva não aconteceu, examine com membros do grupo as razões pelas quais isso não ocorreu.Se, ao contrário, o processo ocorreu, quais os resultados para a escola e para os envolvidos? E quais as reações dos colegas?
Que sugestões esse grupo poderia oferecer para que, em novas situações ocorridas na escola, o processo de discussão e de deliberação possa acontecer?
- O Conselho Escolar e a gestão democrática
E os conselhos escolares, para que servem? Trata-se de uma estratégia a ser considerada na implantação da gestão democrática da escola. O Conselho Escolar é composto de gestores da escola, professores, funcionários, alunos e pais de alunos e, por isso, muitas vezes citado como exemplo de democratização da gestão. As propostas de instituição de Conselhos Escolares surgiram em alguns Estados por volta do final da década de 1970, como resultado da abertura para a eleição de governadores no bojo das lutas pela redemocratização do país, conforme Mendonça (2000,apud BRASIL/MEC/SEB, 2004), inicialmente com caráter consultivo e, na década seguinte, já com funções deliberativas.
Segundo o documento do MEC, foram tais experiências e a ação das entidades de educadores junto ao Fórum Nacional em Defesa da  Educação Pública que viabilizaram a recomendação constitucional da gestão democrática da escola pública, conforme apontado anteriormente. Apesar disso, a Constituição, pela sua natureza, não se pronuncia sobre os Conselhos Escolares. Quem o faz é a Lei de Diretrizes e Bases de 1996, em seus artigos 14 e 15, em que se refere tanto à elaboração do Projeto Político-Pedagógico (art. 14, inciso I) quanto aos Conselhos Escolares (art. 14, inciso II), mas não institui normas específicas a respeito, atribuindo tal responsabilidade aos  sistemas estaduais e municipais de ensino. Nesse sentido, poderão ser encontradas variações entre os entes federados na constituição de tais   instâncias de democratização da gestão escolar.
O documento do MEC (2004), intitulado Conselhos Escolares: uma estratégia de gestão democrática da educação pública, refere-se a um levantamento, feito pelo próprio órgão, a respeito da legislação produzida sobre os Conselhos Escolares por vários Estados e municípios brasileiros. Torna-se objeto de preocupação, como destaca o documento, que, no afã de regulamentar a gestão democrática, com o objetivo de superar a suposta dificuldade das escolas em instituí-la, os entes federados desçam a minúcias sobre a constituição e funcionamento dos Conselhos Escolares, acabando por engessar os trâmites necessários para que ele se instale. Assim procedendo, negam ou diminuem em muito a autonomia da escola para instituir suas próprias normas de funcionamento democrático. Cabe, nesse sentido, indagar se, a pretexto de contribuir para a autonomia escolar por meio da legislação, em vez de estimulá-la, não pretendem, na verdade, controlá-la.
Então o Conselho Escolar é uma garantia da democracia?
Deve-se considerar que mesmo que a escola proponha instituir o Conselho Escolar em moldes democráticos, usando de sua autonomia relativa e tendo em vista a participação de todos os usuários nas discussões e deliberações, como coletivo, ainda assim são necessárias precauções, pois não é a composição em si que define o caráter democrático das deliberações, mas sim o processo por meio do qual as decisões são tomadas. Isso porque, apesar de ter essa constituição, o Conselho Escolar pode ser manipulado, transformando-se, dessa forma, num instrumento de legitimação de decisões autoritárias por parte do indivíduo ou do grupo que detém o poder decisório, tomando as decisões em função de seus interesses, contrariando as razões de instalação do Conselho e o caráter público que ele deve assumir.
Transformar as reuniões do Conselho Escolar no sentido de torná-las efetivamente um espaço democrático de decisões exige, claro, a disposição da direção da escola, assim como de seu corpo técnico e dos professores, de tomar medidas nessa direção. Entre estas está a de tornar mais transparente para todos os participantes, em particular os pais dos alunos, as possibilidades e limites da escola para assumir decisões coletivas referentes à vida institucional, tendo em vista sua pertença a uma rede cujas normas não são decididas por ela, mas sim pelo Estado, bem como as possibilidades de, democraticamente, quebrar tais limites.
Devemos ter alguns cuidados para que o Conselho funcione democraticamente! O primeiro, óbvio, é o de garantir que seus membros sejam eleitos pelos pares, o que é mais difícil no caso dos pais dos alunos, pelo fato de que não mantêm, como os professores, alunos e funcionários, convivência diária na escola, o que dificulta o conhecimento mútuo. O segundo cuidado refere-se à necessidade de que os membros do Conselho tenham conhecimento claro de seus direitos e deveres, com o que se dificulta a manipulação.
O terceiro cuidado é o de trans-formar o desenrolar das próprias reuniões num espaço de aprendizagem de como decidir coletivamente.
Então no Conselho Escolar todos vão esquecer suas divergências?
Não, o Conselho somente exercerá seu papel de instância máxima de deliberação democrática se a comunidade escolar tiver claro que  a escola é espaço de disputa de poder, onde podem estar em jogo visões diferentes e até conflitantes do que é educar, do que é qualidade de ensino, do como lidar com as situações que surgem no dia a dia. Os dois aspectos centrais da gestão democrática da escola referem-se, por isso, ao seu entendimento, primeiramente, como estratégia de disputa por hegemonia de um projeto educacional, no caso o EMI e, em segundo lugar, à compreensão de que quaisquer mecanismos utilizados serão inúteis se não conduzirem a decisões e deliberações coletivas que visem a tal hegemonia, sejam elas mais pontuais e periféricas ou de amplo escopo e mais centrais.
- Como a comunidade do entorno da escola participa do Conselho Escolar?
Quaisquer pessoas ou grupo delas devem ter acesso às informações pedagógicas e administrativas da escola e ter plena liberdade de levantar, para fins de discussão e deliberação, temas e questões que afetam a vida da escola, seu funcionamento e a qualidade do ensino ofertado. Nesse sentido, cabe ao Conselho Escolar não apenas incentivar tais debates e decisões, mas também fazê-lo com relação à apresentação de problemas sobre os quais deve se pronunciar (inclusive por meio de redes sociais, com o que seria muito facilitado e incentivado o processo de participação). Caberia, no entanto, para reforçar o papel do Conselho Escolar como instância de decisão coletiva, que este convidasse grupos externos a ele (de professores, de pais, de alunos) que se empenham em discutir e decidir sobre diferentes questões e apresentar suas proposições para a chancela do coletivo
Reflexão e ação
Caso sua escola não tenha constituído o Conselho Escolar, tente conseguir uma cópia das normas produzidas pela Secretaria da Educação ou pelo Conselho de Educação do Estado onde está instalada sua escola para a instalação e funcionamento dos Conselhos Escolares.Proponha a um grupo de colegas a leitura dessas normas e, particularmente, as que se referem aos objetivos do Conselho e aos direitos e deveres dos conselheiros. Em função disso, deliberem sobre a realização de reuniões com os demais professores e com a direção, tendo em vista a instalação do Conselho em sua escola.Caso a escola já tenha um Conselho instalado, combine com seu grupo a conversa com membros dele, tendo em vista: a) levantar decisões tomadas; b) comparar tais decisões com a prática existente na escola; c) verificar se as decisões foram tomadas democraticamente. Verifique também se há estratégias de comunicação entre os representantes e seus representados
O Grêmio Estudantil e a gestão democrática
E o Grêmio Estudantil? Como ajuda na democratização da escola?
Além do Conselho de Escola, o Grêmio Estudantil pode contribuir para o processo de democratização das decisões . A sua instituição e o seu funcionamento são definidos na legislação federal específica (Lei 7.398, de 04/11/1985, e Lei 8.069, de 13/07/1990). A primeira (a Lei do Grêmio Livre) dispõe sobre a organização de entidades representativas de estudantes da educação básica e a segunda (Estatuto da Criança e do Adolescente) dispõe no seu artigo 53, inciso IV, sobre a garantia do direito de estudantes se organizarem e participarem de entidades estudantis.Infelizmente, a contribuição do Grêmio Estudantil para a democratização da escola nem sempre acontece, seja porque ele nem sequer é instituído, seja porque é muitas vezes reduzido a órgão de promoção de eventos, seja pela direção e/ou professores, seja pelos próprios alunos. Não que estes sejam desimportantes para a formação dos alunos, mas, quando passam a se constituir na principal atividade do Grêmio, ofuscam sua participação nas deliberações que ultrapassam essa esfera, como a discussão e a promoção de debates sobre o projeto pedagógico da escola e sobre temas do interesse deles, alunos (trabalho, cultura, vida social, saúde, transporte, etc.), assim como do interesse da educação, da escola e da região onde vivem com suas famílias






Reflexão e ação - Pág. 29
Se existe um Grêmio Estudantil funcionando em sua escola, procure verificar como está atuando, quais os temas sobre os quais discute, que visão os integrantes têm da sua própria atuação, assim como da escola e do seu funcionamento.Converse com os integrantes do grêmio sobre como é a sua participação nos processos de discussão e decisão acerca da vida da escola, como são tomadas as decisões internamente, assim como sobre o reconhecimento que têm pela direção, pelos professores e por funcionários.Com base nesses levantamentos, a que conclusões você chega sobre a participação democrática no interior do Grêmio e sobre a participação dos jovens que o compõem nas decisões tomadas pela escola?Para ter uma ideia melhor do significado do conceito de resiliência, procure identificar, com um grupo de colegas, entre atividades propostas aos jovens pela Secretaria de Educação, quais se guiam por esse conceito. O mesmo pode ser feito com relação a problemas de moradia, de transporte, de saneamento, relatados por alunos que vivem na localidade onde se situa a escola.
- Os desafios da prática: a gestão democrática da escola pública entre o proposto e o realizado
Nem sempre quando se fala em democracia na escola se faz a democracia na escola!Apesar da existência de discursos e legislação que recomendam e amparam a gestão democrática da escola, observam-se na prática cotidiana distâncias maiores ou menores entre o que eles propõem e o que ocorre de fato nas unidades escolares. É necessário, por isso, examinar mais detalhadamente quais as razões para esse distanciamento.
Deve-se considerar, inicialmente, que a gestão democrática somente se torna possível se a escola dispuser de autonomia para praticá-la. A autonomiaé entendida como a capacidade de alguém ou de uma instituição de decidir por si mesma os rumos a seguir, segundo seus princípios. Aplicado à escola, o conceito significa sua capacidade de autodirigir-se relativamente aos vários aspectos e dimensões que a constituem, o que inclui desde a concepção de educação que pretende tomar como orientação para educar seus alunos até decisões corriqueiras, relativas à compra e uso de materiais de limpeza, por exemplo, passando pela gestão financeira.O que dificulta a autonomia escolar no Brasil?
A primeira dificuldade diz respeito ao caráter patrimonialista que marca a cultura nacional, o qual se manifesta em várias esferas de nossa vida. Decorre dessa concepção, por exemplo, a disposição dos que têm poder ou influência social de mandar e exigir obediência, como se isso fosse natural e inerente à sua condição. Ou de se comportar, nas relações sociais, como se estivessem acima da lei e dos direitos alheios, podendo agir como bem entenderem, como donos e senhores. O patrimonialismo entre nós sofreu vários reveses face ao avanço de relações marcadas pela democracia. No entanto, não desapareceu, apenas manifesta-se de formas mais sutis e mais aceitas, sendo uma delas a legislação produzida de acordo com interesses patrimonialistas ou a forma como uma mesma lei é interpretada de forma diferente segundo a condição social do sujeito ou instituição à qual é aplicada.

Reflexão e ação – Pág. 38
1 Tente realizar com um grupo de colegas a identificação de ações de caráter patrimonialista presentes no interior da escola ou na relação desta com os pais.
2 Faça o mesmo com exemplos concretos de “autonomia concedida” e autonomia efetiva nas escolas onde atuam.
3 Junto com um grupo de colegas, troquem e registrem suas experiências relativas à forma como os pais com que têm contato se manifestam a respeito dos três aspectos que, segundo Paro, condicionam a participação deles na vida escolar.
4 Com base no que discutiram, proponham formas pelas quais possam ser rompidas e superadas as práticas patrimonialistas existentes na escola, assim como formas de articulação com os familiares dos alunos que ajudem a superar os condicionantes que dificultam sua participação.


- A gestão do trabalho pedagógico: o PPP em ação
Quem define para onde a escola deve rumar?
Até agora trouxemos algumas indicações acerca da gestão escolar, resgatando princípios e estratégias, mas é importante que se tenha claro que gestão democrática não é uma exigência apenas para a necessária tomada de decisão sobre “as grandes questões” que envolvem a escola. A democracia deve ser um exercício permanente e cotidiano, em todos os ambientes e momentos da escola, somente assim ela poderá se fazer viva e se constituir como um elemento da cultura institucional, não apenas uma prática de eleição.
Compreendida assim, a democracia assume uma importante função pedagógica, promovendo pessoas democráticas e solidárias e permitindo a construção de um projeto coletivo de escola. Em dois momentos da vida escolar, a gestão democrática mostra-se particularmente importante: na construção do Projeto Político-Pedagógico (PPP) e no exercício do ensino e da aprendizagem na sala de aula.
- O Projeto Político-Pedagógico (PPP)Que tipo de cidadãos queremos formar?
Em que direção a nossa escola deve ir? Que atividades e disciplinas devem ser organizadas para que se chegue neste lugar? Como devem ser distribuídos o tempo e os espaços de ensino e de aprendizagem? Quais os critérios de aprovação ou reprovação dos alunos nas suas séries? Estas são algumas questões que devem ser definidas no Projeto Político-Pedagógico das escolas. O PPP, mais do que uma exigência legal, é a definição das regras do jogo no âmbito da escola. É por meio dele que a comunidade escolar (professores, alunos, técnicos educacionais, comunidade e família) define como deve ser aquela escola, como ela deve ser organizada, como deve se relacionar com a comunidade onde está inserida, que disciplinas devem ser ofertadas (considerando a legislação existente), que estratégias devem ser valorizadas, como fazer a avaliação da aprendizagem, quais os critérios e pessoal envolvido na definição sobre a aprovação ou reprovação dos alunos, enfim, como a escola vai organizar o processo formativo dos estudantes que estão sob sua responsabilidade. O projeto político-pedagógico busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente.
Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sociopolítico e com os interesses reais e coletivos da população majoritária. [...] Na dimensão pedagógica reside a possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo. Pedagógico, no sentido de se definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade (VEIGA, 1995).
Para Vasconcelos (2000), a flexibilidade “não só permite maior interação com as práticas do professor, mas, sobretudo, porque, em não se tornando uma camisa de força obrigando o professor a cumprir um papel, serve como mola propulsora para uma reflexão mais precisa da realidade”.
O professor faz diferença na construção do PPP?
Se a história da educação brasileira é marcada pela imposição de projetos pedagógicos definidos “de cima pra baixo”, nela também há muitas demonstrações de que os profissionais da educação resistem àquilo que não lhes convence, dificultando ou inviabilizando aquelas “propostas”. Isso dito para retomar a ideia de que, sem a participação ativa dos profissionais da educação, os Projetos Político-Pedagógicos das escolas estarão inviabilizados como projeto coletivo. Participação, colegialidade e autonomia são princípios necessários para que estes projetos coloquem-se como direção de ação. A sala de aula é o espaço privilegiado do fazer pedagógico tradicional, mesmo que não seja o único, e se o compromisso da escola é formar indivíduos solidários (e não concorrentes), autônomos (e não dependentes) e criativos (e não repetitivos), cabe aos profissionais da educação e às escolas tomarem a sala de aula como espaço de ações pedagógicas que valorizem a auto-organização, o trabalho cooperativo e que tenham a problematização como estratégia básica para o ensino e a aprendizagem.


Mas a possibilidade de implementação de ações mais dinâmicas e criativas depende também das condições concretas para a sua realização.

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Você conhece o PPP de sua escola? Você sabe quando e como ele foi construído? Procure saber sobre este processo de sua escola. Procure também conhecer o seu conteúdo e, principalmente, quais são suas principais finalidades.Converse com os seus colegas sobre o PPP de sua escola e verifique se há necessidade de uma revisão ou reconstrução do dele.Como está o ambiente em sua sala de aula? Prevalece a hierarquia ou o diálogo? Os alunos têm a possibilidade de aprender e se desenvolver como cidadãos? Pense sobre isso e reflita sobre a sua postura e suas estratégias de ensino, se elas favorecem mais ao desenvolvimento de seres adestrados ou de seres reflexivos