quinta-feira, 29 de maio de 2014

RESUMO - CADERNO 02

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA – SEC
PACTO ENSINO MÉDIO

Colégio Estadual Fred Gedeon
Professor Orientador: Genivaldo Pereira dos Santos

Formação de Professores do Ensino Médio
RESUMO CADERNO – 02 - O JOVEM COMO SUJEITO DO ENSINO MÉDIO

Construindo uma noção de juventude

Mas como diz a letra da música: o jovem não é levado a sério. É uma tendência na escola de não considerar o jovem como interlocutor válido na hora da tomada de decisões importantes para a instituição. Muitas vezes, ele não é chamado para emitir opiniões e interferir até mesmo nas questões que lhe dizem respeito diretamente. E isso, sem dúvida, pode ser considerado como um desestímulo à participação e ao protagonismo. E se os jovens estudantes fossem perguntados: “você acha que é levado a sério?”; o que diriam?
A música também denuncia outro fenômeno comum: a criação de imagens e preconceitos sobre os jovens. A tendência, sob esta perspectiva, é a de enxergar a juventude pelo lado negativo. O jovem é aquele que ainda não se chegou a ser. Nega-se assim o presente vivido. Desta forma, é preciso dizer que o jovem não é um pré-adulto. Pensar assim é destituí-lo de sua identidade no presente em função da imagem que projetamos para ele no futuro.
É preciso cuidar para que o sujeito jovem não se transforme num problema para a sociedade. Isso pode fazer dele uma “nova classe perigosa” a ser combatida. Se nos apegarmos a “modelos” negativos socialmente construídos, correremos o risco de produzirmos imagens em negativo de nossos jovens.
Acreditamos que as recentes manifestações de rua iniciadas no Brasil, em junho de 2013 servirão
para relativizar este impulso desqualificador da capacidade de atuação política das presentes gerações de jovens brasileiros.

E o que seria então a juventude?

Podemos afirmar que a juventude é uma categoria socialmente produzida. Temos de levar em conta que as representações sobre a juventude, os sentidos que se atribuem a esta fase da vida, a posição social dos jovens e o tratamento que lhes é dado pela sociedade ganham contornos particulares em contextos históricos, sociais e culturais distintos.
Consideramos a categoria juventude parte de um processo de crescimento totalizante, que ganha contornos específicos a partir do conjunto das experiências vivenciadas pelos indivíduos no seu contexto social. Isso significa entender a juventude não como uma etapa com um fim predeterminado e muito menos como um momento de preparação a ser superado quando se
entrar na vida adulta.
A juventude constitui um momento determinado, mas não se reduz a uma passagem. Ela assume uma importância em si mesma como um momento de exercício de inserção social. Nele, o indivíduo vai se descobrindo, descortinando as possibilidades em todas as instâncias da vida social, desde a dimensão afetiva até a profissional. Esta categoria ganha contornos próprios em contextos históricos, sociais e culturais distintos. As distintas condições sociais (origem de classe e cor da pele, por exemplo), a diversidade cultural (as identidades culturais e religiosas, os diferentes valores familiares etc.), a diversidade de gênero (a heterossexualidade, a homossexualidade, a transexualidade) e até mesmo as diferenças territoriais se articulam para a constituição das diferentes modalidades de se vivenciar a juventude.
O esforço de conhecer e reconhecer os jovens estudantes pode levar à descoberta dos jovens
reais e corpóreos que habitam a escola.


E que, em grande medida, podem se afastar das representações negativas dominantes ou das abstrações sobre o “jovem ideal”. Buscar perceber como os jovens estudantes constroem o seu modo próprio de ser é um passo para compreender suas experiências, necessidades e expectativas.
Jovens, culturas, identidades e tecnologias
Hoje, os jovens possuem um campo maior de autonomia frente às instituições do denominado
“mundo adulto” para construir seus próprios acervos e identidades culturais.
Um dos princípios organizadores dos processos produtores das identidades contemporâneas diz respeito ao fato de os sujeitos selecionarem as diferenças com as quais querem ser reconhecidos socialmente. Isso faz da identidade muito mais uma escolha do que uma imposição.
Uma das mais importantes tarefas das instituições educativas hoje está em contribuir para que os jovens possam realizar escolhas conscientes sobre suas trajetórias pessoais e constituir os seus próprios acervos de valores e conhecimentos não mais impostos como heranças familiares ou institucionais. Partimos da óbvia constatação de que esses jovens com os quais nos relacionamos diariamente em nossas escolas têm coisas a aprender, contudo, apostamos em nossa capacidade de aprender com eles a experiência de viver de forma inovadora, criativa e solidária o tempo de juventude. Os jovens sujeitos do Ensino Médio nos trazem cotidianamente desafios para o aprimoramento de nosso ofício de educar. Entre esses desafios, encontra-se a difícil tarefa de compreensão dos sentidos os quais os jovens elaboram no agir coletivo, em seus grupos de estilo e identidades culturais e territoriais que, em grande medida, nos são apenas “estranhos” (no sentido de estrangeiros) e diferem de muitas  de nossas concepções (adultas) de educação (escolar ou não), de autoridade, de respeito de sociabilidade “adequada” e produção de valores e conhecimentos.
Jovens em suas tecnologias digitais
Vivemos num cenário em que elas estão cada vez mais presentes nas práticas cotidianas.
Operações bastante corriqueiras têm tido uma intensa presença das tecnologias. E, dentre elas, o acesso à internet é exemplar para medir a imersão dos indivíduos no mundo digital. os jovens, em sua maioria, estão imersos na internet e ligados em seus celulares. Aqueles que, de algum modo, não estão conectados, sentem-se mesmo “peixes fora d’água”. Um deles nos disse: “sou discriminado por não participar de nenhuma rede social. É como se eu fosse um alien!”. A atual juventude está tão imersa nas tecnologias de informação que, por vezes, parece crer que a vida no passado seria impossível sem as facilidades tecnológicas do presente.
Não seria exagero dizer que estamos vivendo em uma “ecologia digital” repleta de novas subjetividades fabricadas nas relações sociais estabelecidas por meio das tecnologias. Alguns autores chegam mesmo a dizer que estamos em uma situação na qual máquinas e seres humanos estariam fundidos em uma espécie de amálgama.
O vínculo da juventude com a tecnologia é da ordem da impregnação e da composição. Símbolos compartilhados no ciberespaço geram significados e referenciam as atitudes e posturas das pessoas tanto quanto sinais e gestos do encontro físico. Por isso se diz que o  jovens de hoje são nativos digitais, uma geração nascida na era da internet.
De um modo geral, os jovens possuem maior familiaridade com as tecnologias do que seus professores. E isso coloca em xeque a relação de poder e as hierarquias do saber na sala de aula.
Os jovens são desafiados a fazer uso seguro e crítico das novas tecnologias na perspectiva de dominar os instrumentos do conhecimento e não ser dominados por elas. E, sem dúvidas, nós,  professores e professoras, podemos ser mediadores importantes neste processo, desde que também nos preparemos para compreender e participar da produção dessas novas arenas educacionais que se apresentadas no cenário da cibercultura e das novas tecnologias de informação e comunicação.
Projetos de vida, escola e trabalho
Até aqui, buscamos problematizar as múltiplas dimensões que integram as identidadesjuvenis. Mas nesta fase da vida, além da tendência do jovem em se defrontar com a pergunta
“quem sou eu?”, é muito comum também indagarem: “para onde vou?”; “qual rumo devo dar à
minha vida?” Questões cruciais que remetem à ideia de projeto de vida, um tema muito importante a ser considerado na relação da juventude com a escola.
O projeto é o que vai nos permitir fugir aos determinismos e improvisos, organizando e planejando nossas ações futuras (MACHADO, 2004).
É muito comum jovens aderirem a determinadas posturas político-ideológicas que marcam um determinado tempo ou sociedade ou ainda realizarem escolhas profissionais baseadas nas profissões que são valorizadas no grupo familiar ou aquelas mais prestigiadas na sociedade em que vivem. Um projeto de vida tende a se realizar na junção de duas variáveis. A primeira delas diz respeito à identidade, ou seja, quanto mais o jovem se conhece, experimenta as suas potencialidades individuais, descobre o seu gosto, aquilo que sente prazer em fazer, maior será a sua capacidade de elaborar o seu projeto. Será que no cotidiano da escola os jovens estudantes estão sendo estimulados a conhecerem as suas potencialidades?
Quanto mais o jovem conhece a realidade em que se insere, compreende o funcionamento da estrutura social com seus mecanismos de inclusão e exclusão e tem consciência dos limites e das possibilidades abertas pelo sistema na área em que queira atuar, maiores serão as suas possibilidades de elaborar e de implementar o seu projeto.
É  importante que nós, profissionais da educação, tenhamos em mente um aspecto essencial desta categoria o caráter indelegável e intransferível da ação projetada. Ou seja, “não se pode projetar pelos outros” (MACHADO, 2004, p. 7).
A relação dos jovens com o mundo do trabalho
Uma outra dimensão fundamental para se conhecer os jovens e as jovens estudantes diz
respeito às relações que estes estabelecem com o mundo do trabalho. Não podemos esquecer que grande parte dos jovens que frequentam o ensino médio em nossas escolas públicas aliam, ao lado da sua condição de jovens, a situação de pobreza. Esta dupla condição social e econômica interfere diretamente na trajetória de vida e nas possibilidades e sentidos que assumem a vivência juvenil.
Um grande problema é que, no contexto das sociedades contemporâneas, o jovem convive com a incerteza e riscos com relação ao mercado de trabalho. Em um quadro de grandes desigualdades sociais, o desemprego e o trabalho precário ou sem proteção legal têm sido a marca da inserção juvenil no mundo do trabalho.
Os jovens, os sentidos do trabalho e a escola
Podemos dizer que a relação dos jovens com o mundo do trabalho não se estabelece de  maneira igualitária e nem se resume à dimensão da necessidade. Para alguns jovens, o período da juventude é um tempo de preparação e as primeiras experiências com o mundo do trabalho se dão por meio de estágios e cursos de formação profissional, podendo a inserção no mercado de trabalho esperar mais um pouco. Para a escola, um primeiro desafio é exatamente conhecer as diferentes inserções e experiências de trabalhos além de suasrepercussões para as trajetórias de escolarização dos jovens alunos. As relações entre o trabalho e o estudo são variadas e complexas e não se esgotam na oposição entre os termos.
Um segundo desafio para a instituição escolar é o de refletir sobre o seu papel diante do jovem e do mundo do trabalho, tendo em vista que o Ensino Médio é a etapa final da escolarização básica, devendo proporcionar uma formação geral para a vida, articulando ciência, trabalho e cultura (LDB 9.394/96). Diante do exposto, cabe refletir sobre em que medida há diálogo das escolas com as experiências de seus jovens estudantes que trabalham.
Podemos criar estratégias ou aprofundar as que já existem, de forma a proporcionar uma boa e equilibrada relação entre escola e trabalho.
Formação das Juventudes, participação e escola
Falar em participação implica levar em conta dois princípios complementares. Ela envolve o
que se pode denominar de formação teórica para a vida cidadã aprendizagem de valores, conteúdos cívicos e históricos da democracia, regras institucionais, etc. mas, também a criação de espaços e tempos para a experimentação cotidiana do exercício da participação democrática na própria instituição escolar e em outros espaços públicos. Diante disso, fica a pergunta: será que estes dois principios são colocados em prática na sua escola? De acordo com a sua experiência e observação das realidades escolares, você acha que as nossas escolas praticam ou estimulam em seus tempos e espaços cotidianos a participação cidadã?
Trazendo essa questão para o Ensino Médio, indicamos que um dos caminhos possíveis para pensarmos a formação democrática para a vida pública e para o exercício da cidadania passa pela dimensão da participação. A formação para a cidadania exige que tratemos da temática juventude e participação junto a sua relação com a escola.
A experiência participativa representa uma das formas de os jovens vivenciarem processos de construção de pautas, projetos e ações coletivas. Além disso, a experiência participativa também é importante por permitir a vivência de valores, como os da solidariedade e da democracia, e o aprendizado da alteridade. O que significa, em última instância, aprender a respeitar, perceber e reconhecer o outro e suas diferenças. O exercício da participação pode ser, então, uma experiência decisiva para a vida dos jovens um efetivo contraponto – em uma sociedade que, ao se individualizar, enfraquece ideias, valores e práticas relacionadas à dimensão coletiva da vida social.
A relação dos jovens com a escola e sua Formação
Durante séculos, foi se consolidando uma cultura escolar com seus tempos, espaços, métodos e currículos que hoje parecem naturais. Quando se fala em escola, logo surgem imagens como o quadro-negro, a mesa do professor, as filas de carteiras, um professor que dirige as atividades
e os alunos que seguem as instruções dadas por ele. Contudo, os jovens estudantes de hoje têm cada vez mais dificuldades de adaptação a esse tipo de escola organizada pela verticalização de hierarquias e linearidade na forma de socialização de informações e conhecimentos.
O desencaixe entre a instituição escolar e seus estudantes não deve ser entendido com uma incompetência da escola em lidar com seus jovens estudantes. É, menos ainda, um mero desinteresse dos jovens para com o mundo escolar. Trata-se, sobretudo, de um quadro muito mais amplo de transformações que envolve a instituição
escolar e seus sujeitos. Mesmo assim, à medida que nos aproximamos do contexto escolar, percebemos que há muitas possibilidades de interação e compartilhamento com relação à escola, aos professores e aos próprios jovens que podem ser exploradas.
Os jovens e a escola
A escola é uma instituição central na vida dos jovens. É um espaço-tempo de convivência e aprendizado, onde eles passam parte significativa de seus cotidianos.
A possibilidade de transitar por diferentes instituições, os múltiplos pertencimentos e seus heterogêneos processos formativos conferem aos jovens um desejo e uma necessidade de se fazerem ouvir e de valorizar suas formas de sociabilidade que repercutem no cotidiano escolar.
Eles reconhecem o papel da escola, mas querem também que a instituição escolar esteja aberta ao diálogo com suas experiências do presente e expectativas de futuro. Os sentidos e significados da escola para os jovens Para compreender os sentidos e significados que os jovens atribuem à escola, é fundamental considerar que os jovens produzem uma maneira própria de ver e valorizar a escola a partir de seus pertencimentos aos diferentes contextos sociais. A adesão à escola ou mesmo a “motivação” para os estudos dependem muito das experiências individuais, dos interesses e das identidades que se constroem a partir da realidade vivida e das interações com outras pessoas e instituições, entre elas a própria escola.
Para jovens das camadas populares, as experiências dos pais e de outros amigos de bairro nem sempre acenam para um futuro promissor a partir da escolarização. Muitas vezes, esta se configura num investimento de alto risco.
Enquanto para alguns jovens estudantes a escola representa uma obrigação que os pais ou a sociedade impõem, para outros, estudar está diretamente relacionado à sua inserção no mercado de trabalho. Assim, traçam planos para o futuro profissional e esperam que a escola contribua para a sua mobilidade social. Outros valorizam a escola considerando os aprendizados que ela proporciona para a vida. Para muitos, o valor da escola está no fato de ser um lugar em que encontram os amigos, fazem amizades e se relacionam. Por vezes, a escola é um abrigo protetor em meio a territórios de moradia ameçadores da própria vida. As pesquisas indicam que os jovens demandam uma escola que faça sentido para a vida e que contribua para a compreensão da realidade. Eles reivindicam que o que se ensina na escola tenha vínculos com o seu cotidiano. Muitos jovens estudantes expressam suas dificuldades para estabelecer uma conexão entre os conteúdos curriculares e suas vidas. Se a escola é lugar de aprender, é importante compreender como os jovens aprendem e quais são os conhecimentos que demandam da escola. Os jovens enfatizam a importância de que seus interesses sejam considerados, o que é possível quando se estabelece um diálogo entre os conteúdos curriculares e a realidade. Um último aspecto a se pensar é que o professor tem um papel importante na mediação entre o ser jovem e ser estudante. Educar neste cenário nos pede uma maior inserção no universo juvenil: estar próximos dele e aprender a ouvi-lo, mapear suas potencialidades e estabelecer relacionamentos interpessoais significativos. Nas sociedades modernas, a escola é a instituição que tem a função específica de forjar as novas gerações para a vida social. Seus tempos, espaços, métodos e estruturas são definidos com intencionalidade educativa.
Razões da permanência e do abandono escolar
Se perguntarmos aos jovens sobre as razões do abandono ou permanência na escola, em geral, eles e elas assumem a responsabilidade pelos fracassos ou êxitos, outorgados pelo esforço pessoal ou pela falta de interesse na escola. Em outros momentos, jovens atribuem as razões aos problemas internos da escola, como a falta de infraestrutura ou a má relação professor-aluno.
A “chatice da escola”, tal como dizem, é uma avaliação comum entre jovens. Ora falam dos tempos, ora dos conteúdos, ora da relação e dos métodos utilizados pelos professores.
Diante desta realidade, torna-se necessário aprofundar a reflexão para não cairmos na resposta fácil e no beco sem saída do jogo de culpados sobre o qual nos referimos ao iniciarmos este texto. Responsabilizar o jovem estudante pelo desinteresse manifesto, ou a sua família, ou mesmo a sua pobreza, costuma produzir análises superficiais de pouca serventia para enfrentar o
fenômeno da crise de realização da escola.
Mas será que o desinteresse que jovens expressam na vida escolar não pode ser lido como uma  dificuldade que estes encontram em atribuir um sentido à escola, ao que ela tem a oferecer?
É o caso de nos atentarmos para o fato de que a permanência e o abandono da escola pelos jovens se constroem na combinação de condições subjetivas apoio familiar, relação estabelecida com os professores, estímulos originados nas redes de sociabilidade, engajamento na rotina escolar e condições objetivas possibilidades de dedicar-se aos estudos, condições financeiras da família, necessidade da certificação, projetos pessoais mais ou menos delineados que resulta em apropriações diferenciadas da experiência escolar.
A questão da autoridade do professor, a indisciplina
É cada vez mais comum nos depararmos com notícias associadas a situações de violência e agressão na escola. São ocorrências dentro dela ou ao seu redor, mas que a atingem e, muitas vezes, interferem em sua organização e nas atividades cotidianas da instituição.
Há, também, outras formas de ação que alteram o cotidiano da escola não menos preocupantes, mas provavelmente menos visíveis midiaticamente, quase como se já fizessem parte do cotidiano escolar. Estamos nos referindo aos episódios de indisciplina. Entram nessa categoria a agitação e a gritaria em sala de aula, a falta de respeito com colegas e professores, a falta de concentração no conteúdo das aulas, os burburinhos, as mentiras, as manipulações e os conflitos diários.
A proposta, então, é a de pensar sobre como os jovens estudantes, considerados em sua diversidade, têm lidado com as regras escolares, quer sejam elas “impostas” ou “construídas”. E mais, como o modo pelo qual administram a disciplina ou indisciplina faz também parte do jogo
de estratégias de interação das expressões juvenis com a escola.
Bagunceiro, indisciplinado, desordeiro e violento. Estes termos, às vezes, confundem-se por sua imprecisão e escondem dinâmicas completamentediferentes para se referir tanto à violência quanto à incivilidade que alguns jovens manifestam na escola. É bem verdade que, em muitas ocasiões, incivilidade maus hábitos e violência se misturam. Por isso costuma-se referir a toda quebra de regra ou padrão de conduta como atos de indisciplina. No cotidiano da escola não é tão tranquilo diferenciar uma incivilidade de violência, ainda que, conceitualmente, não seja tão difícil realizar distinção entre os fenômenos.
O intuito, contudo,  é estabelecer parâmetros e contribuir para que professores e escolas estabeleçam procedimentos adequados para situações específicas. Medida necessária para não se cair na armadilha de decretar a “epidemia de violência” quando, na maioria dos casos, se está diante de situações de quebra de regras disciplinares ou mesmo da ausência de normas institucional e coletivamente assumidas pela comunidade escolar.
A escola não é apenas um espaço de aprendizagem, mas lugar social de vivência e experiência da condição juvenil. O “esbarrão” que um estudante dá em outro no recreio não é dado em uma pessoa aleatória. Na construção das regras, a primeira coisa para pensar uma escola justa é compreender como as regras são definidas, quem as define e como elas são aplicadas. Uma das maiores reclamações dos jovens alunos é que são os professores, junto aos diretores e à coordenação pedagógica, quem definem as regras, bem como quando elas devem ser aplicadas e a quais sanções os alunos devem ser submetidos. Desse modo eles alegam, então, que não só não compartilham da elaboração das regras, como também estão sujeitos a punições e sanções das quais não têm clareza.
Quem define, portanto, o que é justo ou injusto são os professores. E como já vimos, muitas vezes, os professores vêem os jovens apenas sob a ótica do aluno e filtram toda a gama de experiência juvenil por meio de critérios exclusivamente escolares de rendimento e comportamento. Assim, o bom aluno é o que tem certas características; nos outros, faltam essas características.

Idealizar o jovem que queremos que exista desconhecendo o jovem real que temos diante de nós é criar uma abstração que violenta a subjetividade juvenil e também cria uma dificuldade para o relacionamento. E, da mesma forma, enxergá-lo pela ótica da negatividade não contribui para apreender os modos pelos quais os jovens constroem a sua efetiva e multifacetada experiência de juventude.

Um comentário:

  1. e aí, viram o tanto que o povo gosta de ler artigos referente a educação??

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