quinta-feira, 29 de maio de 2014

3º Encontro de AC – 20 a 22.05.14- RELATÓRIO DAS ATIVIDADES REALIZADAS NO ENCONTRO E DAS ATIVIDADES DE ESTUDO INDIVIDUAL

1.    Fizemos os últimos comentários e intervenções a respeito do Caderno 2, onde discutimos a relação dos jovens com a sua escola e até onde ela é formadora. A relação desse jovem com a escola buscando os reais significados e sentidos dessa escola no seu dia a dia e porque ainda ocorrem uma incidência grande de abandono escolar e o que poderia caracterizar com maior ênfase a sua permanência. O que a escola poderia ofertar? A postura do professor no que se refere à sua autoridade. Onde ajuda e/ou onde prejudica? Discussões pontuadas na realidade local e um olhar de busca das soluções. Gerou uma abordagem escrita dos cursistas.

2.    O processo de visitação e da reconstrução do PPP está ocorrendo independente de ter feito uma agenda específica. Como já tinha especificado no segundo encontro, a escola no coletivo fez a visitação ao PPP ( algo que é feito anualmente) e no encontro da Jornada Pedagógica fizemos as intervenções necessárias, mas que, no momento estamos ainda fazendo as referências necessárias, uma vez que no referido Projeto não especificava sobre o Pacto do Ensino Médio, portanto estamos mais uma vez revisitando e fazendo a inclusão do perfil do aluno, algo que não contemplava com tanta especificidade. Perfil esse que foi construído com a participação desses protagonistas em sala de aula.

3.    Programamos a realização de gravação de vídeos com os alunos fazendo um a filmagem do perfil de cada um a partir de um esquema como exemplo para os mesmos seguirem no momento das colocações.

4.    Como atividade para ser feita em casa, solicitamos a leitura dos documentos norteadores da Construção do PPP postadas no Portal da SEC e a videoconferência da professora Ilma Passos sobre o PPP para possíveis intervenções e discussões no sentido de objetivar a nossa proposta de construirmos um PPP  vivo e real à altura do seio do cotidiano dos alunos, até porque eles deverão ser protagonistas dessa construção.









2º Encontro de AC – 13 a 15.05.14 - RELATÓRIO DAS ATIVIDADES REALIZADAS NO ENCONTRO E DAS ATIVIDADES DE ESTUDO INDIVIDUAL

1.    Fizemos comentário a respeito do Caderno 2, inclusive formulamos um material em forma de apostila, que facilitou o estudo do Caderno, onde cada um dos cursistas pode referendar as suas opiniões a respeito das análises estudadas, principalmente sobre a relação do jovem com o mundo do trabalho. A relação do jovem com a sua escola e com a sua formação também foi bem discutido por todos, uma vez que a escola sendo uma instituição central na vida deles, é também lugar de fazer amigos, compartilhar experiências, valores e até delinear projetos de vida. Um momento bastante interativo.

2.    Iniciamos as discussões e intervenções a respeito do perfil do aluno do Ensino Médio, onde cada cursista fez abordagem das características de cada protagonista, colocando suas aptidões, desejos, visão de mundo, visão da escola, a relação dele com os colegas e demais envolvidos na ação educar, etc. Os professores aproveitaram a oportunidade e fizeram um trabalho em sala com os alunos, onde pontuaram através de entrevista as características do perfil de cada aluno da escola. Algo bastante proveitoso e que rendeu uma oportunidade ótima para ouvi-los.

3.    Com o apoio e consentimento da minha diretora entreguei o Login e Senha do portal do AVALIE para que todos pudessem ter acesso aos dados. Fiz a impressão dos gráficos a nível de Estado, Direc e Escola, onde fizemos o confrontamento dos resultados e a partir daí, analisarmos os avanços e possíveis quedas. Uma atividade que foi bastante proveitosa onde cada professor resolveu fazer um relatório sobre esses dados conforme cada disciplina, registrando cada aspecto observado. Esse momento proporcionou uma avaliação diagnóstica e também dos rendimentos dos estudantes nessa avaliação – momento de observação importante para o redimensionamento da prática pedagógica.

4.    Devido a falta de um tempo maior, uma vez que as discussões sobre os dados do AVALIE demorou muito,não construímos nenhuma agenda de revisitação do PPP, ou seja, um cronograma de atividades. Momento que poderá oportunamente ser feito. Mas a não construção da agenda não inviabilizou a consulta ao PPP. Pelo contrário, os professores cusrsitas estão tendo contato ao PPP e sua possível estruturação, até porque na Jornada Pedagógica ocorrida em fevereiro, fizemos uma visitação geral ao PPP.

5.    Foi solicitado a continuação da leitura do Caderno 1 aos professores cursistas, momento em que no próximo encontro faremos a conclusão do estudo do mesmo. Um estudo individual de cada um para a sistematização das razões d permanência e do abandono do aluno na escola, a questão de autoridade do professor na sala de aula, o enfrentamento da indisciplina – discussão geradora de busca de soluções para tais problemas no seio escolar e que poderá ser revitalizado com o pensamento coletivo.

1º Encontro de AC – 06 a 08.05.14 - RELATÓRIO DAS ATIVIDADES REALIZADAS NOS ENCONTROS E NAS ATIVIDADES DE ESTUDO INDIVIDUAL

  1. Apresentamos a proposta do Curso, do cronograma e também apresentamos e explicamos a respeito do material de estudo para os professores cursistas.

  1. Fiz uma breve exposição resumida a respeito do Caderno 1 – Ensino Médio e Formação Humana Integral, onde pautamos sobre o balanço histórico do Ensino Médio ao longo do Império, da República, Anos 30 até a redemocratização e período atual, focando sobre os nossos desafios com referencia às Políticas Públicas do Ensino Médio.

  1. Houve algumas intervenções durante o encontro no sentido de construção e de momentos cada vez mais específicos e de bom aproveitamento das socializações e das participações de cada professor na construção de uma escola cada vez mais atuante, visando uma prática pedagógica consistente e compromissada com o coletivo. Uma percepção voltada a ações necessárias a uma construção de uma nova realidade escolar onde todos possam trabalham com comprometimento e envolvimento de todos.

  1. Explicação pelo Orientador a respeito do Caderno 2 no sentido que todos possam fazer uma leitura individual do mesmo( atividade para próximo módulo), relatando as principais informações contidas no Módulo para uma posterior discussão  coletiva onde cada um possa relacionar com a nossa realidade educacional, construindo a partir daí, meios operacionais e ações para a implementação de uma educação voltada para  o “fazer pedagógico”. O Jovem como sujeito do Ensino Médio.

  1. O aluno como grande protagonista do conhecimento e da ação educar, deve ser sempre pautado como agente do real Projeto Político Pedagógico, logo foi sinalizado por todos que deveríamos iniciar a construção do Perfil desse aluno para a  (Re)construção do PPP na Unidade Escolar – Documento clarificador da ação educativa que deverá revelar a identidade da escola, promovendo a vivencia democrática necessária para a participações de todos os membros da comunidade escolar.

  1. Colegas cursistas criaram seu E-mail como foi programado.

  1. Não houve condições de acessas o ambiente virtual da plataforma moodle. Escola estava com problemas na internet.









PERFIL DO ALUNO - ESQUEMA PARA O VÍDEO

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA – SEC
PACTO ENSINO MÉDIO
           
Colégio Estadual Fred Gedeon – Floresta azul – Direc 07
Professor Orientador: Genivaldo Pereira dos Santos

Esquema que utilizamos para servir de base para o vídeo com os alunos envolvendo seus anseios e opiniões.

O Protagonismo do Aluno
Anseios e opiniões dos jovens, dos estudantes.
Uma autobiografia com depoimentos sobre seus anseios e angústias

- Preferências musicais (ritmos)
- Lazer que vocês gostam
- Como é o seu relacionamento com professores e funcionários e vice e versa.
- As atividades de maior interesse para você.
- Atividades sociais, culturais e comunitárias que vocês preferem.
- De que forma vocês  acham que os professores poderiam conhecer melhor vocês?
- A forma de se vestir...gostos e preferências.
- O jovem no Brasil é levado a sério?
- Gostaria d éter mais espaços na escola? De que forma?
- Como vocês constroem o seu modo próprio de ser?
- Que realidade você está inserido? Você está satisfeito por ela?
- Qual é a sua perspectiva de trabalho? De formação?
- Que significado você atribui a escola?
- Qual é a escola ideal para você? Como seria essa escola?
- Alguns jovens chegam a afirmar que a “escola é chata”. Porque será que muitos jovens chegam a afirmar isso?
- Como você ver as regras escolares? São mais impostas ou construídas?
- Porque alguns alunos desistem de estudar?



RESUMO - CADERNO 02

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA – SEC
PACTO ENSINO MÉDIO

Colégio Estadual Fred Gedeon
Professor Orientador: Genivaldo Pereira dos Santos

Formação de Professores do Ensino Médio
RESUMO CADERNO – 02 - O JOVEM COMO SUJEITO DO ENSINO MÉDIO

Construindo uma noção de juventude

Mas como diz a letra da música: o jovem não é levado a sério. É uma tendência na escola de não considerar o jovem como interlocutor válido na hora da tomada de decisões importantes para a instituição. Muitas vezes, ele não é chamado para emitir opiniões e interferir até mesmo nas questões que lhe dizem respeito diretamente. E isso, sem dúvida, pode ser considerado como um desestímulo à participação e ao protagonismo. E se os jovens estudantes fossem perguntados: “você acha que é levado a sério?”; o que diriam?
A música também denuncia outro fenômeno comum: a criação de imagens e preconceitos sobre os jovens. A tendência, sob esta perspectiva, é a de enxergar a juventude pelo lado negativo. O jovem é aquele que ainda não se chegou a ser. Nega-se assim o presente vivido. Desta forma, é preciso dizer que o jovem não é um pré-adulto. Pensar assim é destituí-lo de sua identidade no presente em função da imagem que projetamos para ele no futuro.
É preciso cuidar para que o sujeito jovem não se transforme num problema para a sociedade. Isso pode fazer dele uma “nova classe perigosa” a ser combatida. Se nos apegarmos a “modelos” negativos socialmente construídos, correremos o risco de produzirmos imagens em negativo de nossos jovens.
Acreditamos que as recentes manifestações de rua iniciadas no Brasil, em junho de 2013 servirão
para relativizar este impulso desqualificador da capacidade de atuação política das presentes gerações de jovens brasileiros.

E o que seria então a juventude?

Podemos afirmar que a juventude é uma categoria socialmente produzida. Temos de levar em conta que as representações sobre a juventude, os sentidos que se atribuem a esta fase da vida, a posição social dos jovens e o tratamento que lhes é dado pela sociedade ganham contornos particulares em contextos históricos, sociais e culturais distintos.
Consideramos a categoria juventude parte de um processo de crescimento totalizante, que ganha contornos específicos a partir do conjunto das experiências vivenciadas pelos indivíduos no seu contexto social. Isso significa entender a juventude não como uma etapa com um fim predeterminado e muito menos como um momento de preparação a ser superado quando se
entrar na vida adulta.
A juventude constitui um momento determinado, mas não se reduz a uma passagem. Ela assume uma importância em si mesma como um momento de exercício de inserção social. Nele, o indivíduo vai se descobrindo, descortinando as possibilidades em todas as instâncias da vida social, desde a dimensão afetiva até a profissional. Esta categoria ganha contornos próprios em contextos históricos, sociais e culturais distintos. As distintas condições sociais (origem de classe e cor da pele, por exemplo), a diversidade cultural (as identidades culturais e religiosas, os diferentes valores familiares etc.), a diversidade de gênero (a heterossexualidade, a homossexualidade, a transexualidade) e até mesmo as diferenças territoriais se articulam para a constituição das diferentes modalidades de se vivenciar a juventude.
O esforço de conhecer e reconhecer os jovens estudantes pode levar à descoberta dos jovens
reais e corpóreos que habitam a escola.


E que, em grande medida, podem se afastar das representações negativas dominantes ou das abstrações sobre o “jovem ideal”. Buscar perceber como os jovens estudantes constroem o seu modo próprio de ser é um passo para compreender suas experiências, necessidades e expectativas.
Jovens, culturas, identidades e tecnologias
Hoje, os jovens possuem um campo maior de autonomia frente às instituições do denominado
“mundo adulto” para construir seus próprios acervos e identidades culturais.
Um dos princípios organizadores dos processos produtores das identidades contemporâneas diz respeito ao fato de os sujeitos selecionarem as diferenças com as quais querem ser reconhecidos socialmente. Isso faz da identidade muito mais uma escolha do que uma imposição.
Uma das mais importantes tarefas das instituições educativas hoje está em contribuir para que os jovens possam realizar escolhas conscientes sobre suas trajetórias pessoais e constituir os seus próprios acervos de valores e conhecimentos não mais impostos como heranças familiares ou institucionais. Partimos da óbvia constatação de que esses jovens com os quais nos relacionamos diariamente em nossas escolas têm coisas a aprender, contudo, apostamos em nossa capacidade de aprender com eles a experiência de viver de forma inovadora, criativa e solidária o tempo de juventude. Os jovens sujeitos do Ensino Médio nos trazem cotidianamente desafios para o aprimoramento de nosso ofício de educar. Entre esses desafios, encontra-se a difícil tarefa de compreensão dos sentidos os quais os jovens elaboram no agir coletivo, em seus grupos de estilo e identidades culturais e territoriais que, em grande medida, nos são apenas “estranhos” (no sentido de estrangeiros) e diferem de muitas  de nossas concepções (adultas) de educação (escolar ou não), de autoridade, de respeito de sociabilidade “adequada” e produção de valores e conhecimentos.
Jovens em suas tecnologias digitais
Vivemos num cenário em que elas estão cada vez mais presentes nas práticas cotidianas.
Operações bastante corriqueiras têm tido uma intensa presença das tecnologias. E, dentre elas, o acesso à internet é exemplar para medir a imersão dos indivíduos no mundo digital. os jovens, em sua maioria, estão imersos na internet e ligados em seus celulares. Aqueles que, de algum modo, não estão conectados, sentem-se mesmo “peixes fora d’água”. Um deles nos disse: “sou discriminado por não participar de nenhuma rede social. É como se eu fosse um alien!”. A atual juventude está tão imersa nas tecnologias de informação que, por vezes, parece crer que a vida no passado seria impossível sem as facilidades tecnológicas do presente.
Não seria exagero dizer que estamos vivendo em uma “ecologia digital” repleta de novas subjetividades fabricadas nas relações sociais estabelecidas por meio das tecnologias. Alguns autores chegam mesmo a dizer que estamos em uma situação na qual máquinas e seres humanos estariam fundidos em uma espécie de amálgama.
O vínculo da juventude com a tecnologia é da ordem da impregnação e da composição. Símbolos compartilhados no ciberespaço geram significados e referenciam as atitudes e posturas das pessoas tanto quanto sinais e gestos do encontro físico. Por isso se diz que o  jovens de hoje são nativos digitais, uma geração nascida na era da internet.
De um modo geral, os jovens possuem maior familiaridade com as tecnologias do que seus professores. E isso coloca em xeque a relação de poder e as hierarquias do saber na sala de aula.
Os jovens são desafiados a fazer uso seguro e crítico das novas tecnologias na perspectiva de dominar os instrumentos do conhecimento e não ser dominados por elas. E, sem dúvidas, nós,  professores e professoras, podemos ser mediadores importantes neste processo, desde que também nos preparemos para compreender e participar da produção dessas novas arenas educacionais que se apresentadas no cenário da cibercultura e das novas tecnologias de informação e comunicação.
Projetos de vida, escola e trabalho
Até aqui, buscamos problematizar as múltiplas dimensões que integram as identidadesjuvenis. Mas nesta fase da vida, além da tendência do jovem em se defrontar com a pergunta
“quem sou eu?”, é muito comum também indagarem: “para onde vou?”; “qual rumo devo dar à
minha vida?” Questões cruciais que remetem à ideia de projeto de vida, um tema muito importante a ser considerado na relação da juventude com a escola.
O projeto é o que vai nos permitir fugir aos determinismos e improvisos, organizando e planejando nossas ações futuras (MACHADO, 2004).
É muito comum jovens aderirem a determinadas posturas político-ideológicas que marcam um determinado tempo ou sociedade ou ainda realizarem escolhas profissionais baseadas nas profissões que são valorizadas no grupo familiar ou aquelas mais prestigiadas na sociedade em que vivem. Um projeto de vida tende a se realizar na junção de duas variáveis. A primeira delas diz respeito à identidade, ou seja, quanto mais o jovem se conhece, experimenta as suas potencialidades individuais, descobre o seu gosto, aquilo que sente prazer em fazer, maior será a sua capacidade de elaborar o seu projeto. Será que no cotidiano da escola os jovens estudantes estão sendo estimulados a conhecerem as suas potencialidades?
Quanto mais o jovem conhece a realidade em que se insere, compreende o funcionamento da estrutura social com seus mecanismos de inclusão e exclusão e tem consciência dos limites e das possibilidades abertas pelo sistema na área em que queira atuar, maiores serão as suas possibilidades de elaborar e de implementar o seu projeto.
É  importante que nós, profissionais da educação, tenhamos em mente um aspecto essencial desta categoria o caráter indelegável e intransferível da ação projetada. Ou seja, “não se pode projetar pelos outros” (MACHADO, 2004, p. 7).
A relação dos jovens com o mundo do trabalho
Uma outra dimensão fundamental para se conhecer os jovens e as jovens estudantes diz
respeito às relações que estes estabelecem com o mundo do trabalho. Não podemos esquecer que grande parte dos jovens que frequentam o ensino médio em nossas escolas públicas aliam, ao lado da sua condição de jovens, a situação de pobreza. Esta dupla condição social e econômica interfere diretamente na trajetória de vida e nas possibilidades e sentidos que assumem a vivência juvenil.
Um grande problema é que, no contexto das sociedades contemporâneas, o jovem convive com a incerteza e riscos com relação ao mercado de trabalho. Em um quadro de grandes desigualdades sociais, o desemprego e o trabalho precário ou sem proteção legal têm sido a marca da inserção juvenil no mundo do trabalho.
Os jovens, os sentidos do trabalho e a escola
Podemos dizer que a relação dos jovens com o mundo do trabalho não se estabelece de  maneira igualitária e nem se resume à dimensão da necessidade. Para alguns jovens, o período da juventude é um tempo de preparação e as primeiras experiências com o mundo do trabalho se dão por meio de estágios e cursos de formação profissional, podendo a inserção no mercado de trabalho esperar mais um pouco. Para a escola, um primeiro desafio é exatamente conhecer as diferentes inserções e experiências de trabalhos além de suasrepercussões para as trajetórias de escolarização dos jovens alunos. As relações entre o trabalho e o estudo são variadas e complexas e não se esgotam na oposição entre os termos.
Um segundo desafio para a instituição escolar é o de refletir sobre o seu papel diante do jovem e do mundo do trabalho, tendo em vista que o Ensino Médio é a etapa final da escolarização básica, devendo proporcionar uma formação geral para a vida, articulando ciência, trabalho e cultura (LDB 9.394/96). Diante do exposto, cabe refletir sobre em que medida há diálogo das escolas com as experiências de seus jovens estudantes que trabalham.
Podemos criar estratégias ou aprofundar as que já existem, de forma a proporcionar uma boa e equilibrada relação entre escola e trabalho.
Formação das Juventudes, participação e escola
Falar em participação implica levar em conta dois princípios complementares. Ela envolve o
que se pode denominar de formação teórica para a vida cidadã aprendizagem de valores, conteúdos cívicos e históricos da democracia, regras institucionais, etc. mas, também a criação de espaços e tempos para a experimentação cotidiana do exercício da participação democrática na própria instituição escolar e em outros espaços públicos. Diante disso, fica a pergunta: será que estes dois principios são colocados em prática na sua escola? De acordo com a sua experiência e observação das realidades escolares, você acha que as nossas escolas praticam ou estimulam em seus tempos e espaços cotidianos a participação cidadã?
Trazendo essa questão para o Ensino Médio, indicamos que um dos caminhos possíveis para pensarmos a formação democrática para a vida pública e para o exercício da cidadania passa pela dimensão da participação. A formação para a cidadania exige que tratemos da temática juventude e participação junto a sua relação com a escola.
A experiência participativa representa uma das formas de os jovens vivenciarem processos de construção de pautas, projetos e ações coletivas. Além disso, a experiência participativa também é importante por permitir a vivência de valores, como os da solidariedade e da democracia, e o aprendizado da alteridade. O que significa, em última instância, aprender a respeitar, perceber e reconhecer o outro e suas diferenças. O exercício da participação pode ser, então, uma experiência decisiva para a vida dos jovens um efetivo contraponto – em uma sociedade que, ao se individualizar, enfraquece ideias, valores e práticas relacionadas à dimensão coletiva da vida social.
A relação dos jovens com a escola e sua Formação
Durante séculos, foi se consolidando uma cultura escolar com seus tempos, espaços, métodos e currículos que hoje parecem naturais. Quando se fala em escola, logo surgem imagens como o quadro-negro, a mesa do professor, as filas de carteiras, um professor que dirige as atividades
e os alunos que seguem as instruções dadas por ele. Contudo, os jovens estudantes de hoje têm cada vez mais dificuldades de adaptação a esse tipo de escola organizada pela verticalização de hierarquias e linearidade na forma de socialização de informações e conhecimentos.
O desencaixe entre a instituição escolar e seus estudantes não deve ser entendido com uma incompetência da escola em lidar com seus jovens estudantes. É, menos ainda, um mero desinteresse dos jovens para com o mundo escolar. Trata-se, sobretudo, de um quadro muito mais amplo de transformações que envolve a instituição
escolar e seus sujeitos. Mesmo assim, à medida que nos aproximamos do contexto escolar, percebemos que há muitas possibilidades de interação e compartilhamento com relação à escola, aos professores e aos próprios jovens que podem ser exploradas.
Os jovens e a escola
A escola é uma instituição central na vida dos jovens. É um espaço-tempo de convivência e aprendizado, onde eles passam parte significativa de seus cotidianos.
A possibilidade de transitar por diferentes instituições, os múltiplos pertencimentos e seus heterogêneos processos formativos conferem aos jovens um desejo e uma necessidade de se fazerem ouvir e de valorizar suas formas de sociabilidade que repercutem no cotidiano escolar.
Eles reconhecem o papel da escola, mas querem também que a instituição escolar esteja aberta ao diálogo com suas experiências do presente e expectativas de futuro. Os sentidos e significados da escola para os jovens Para compreender os sentidos e significados que os jovens atribuem à escola, é fundamental considerar que os jovens produzem uma maneira própria de ver e valorizar a escola a partir de seus pertencimentos aos diferentes contextos sociais. A adesão à escola ou mesmo a “motivação” para os estudos dependem muito das experiências individuais, dos interesses e das identidades que se constroem a partir da realidade vivida e das interações com outras pessoas e instituições, entre elas a própria escola.
Para jovens das camadas populares, as experiências dos pais e de outros amigos de bairro nem sempre acenam para um futuro promissor a partir da escolarização. Muitas vezes, esta se configura num investimento de alto risco.
Enquanto para alguns jovens estudantes a escola representa uma obrigação que os pais ou a sociedade impõem, para outros, estudar está diretamente relacionado à sua inserção no mercado de trabalho. Assim, traçam planos para o futuro profissional e esperam que a escola contribua para a sua mobilidade social. Outros valorizam a escola considerando os aprendizados que ela proporciona para a vida. Para muitos, o valor da escola está no fato de ser um lugar em que encontram os amigos, fazem amizades e se relacionam. Por vezes, a escola é um abrigo protetor em meio a territórios de moradia ameçadores da própria vida. As pesquisas indicam que os jovens demandam uma escola que faça sentido para a vida e que contribua para a compreensão da realidade. Eles reivindicam que o que se ensina na escola tenha vínculos com o seu cotidiano. Muitos jovens estudantes expressam suas dificuldades para estabelecer uma conexão entre os conteúdos curriculares e suas vidas. Se a escola é lugar de aprender, é importante compreender como os jovens aprendem e quais são os conhecimentos que demandam da escola. Os jovens enfatizam a importância de que seus interesses sejam considerados, o que é possível quando se estabelece um diálogo entre os conteúdos curriculares e a realidade. Um último aspecto a se pensar é que o professor tem um papel importante na mediação entre o ser jovem e ser estudante. Educar neste cenário nos pede uma maior inserção no universo juvenil: estar próximos dele e aprender a ouvi-lo, mapear suas potencialidades e estabelecer relacionamentos interpessoais significativos. Nas sociedades modernas, a escola é a instituição que tem a função específica de forjar as novas gerações para a vida social. Seus tempos, espaços, métodos e estruturas são definidos com intencionalidade educativa.
Razões da permanência e do abandono escolar
Se perguntarmos aos jovens sobre as razões do abandono ou permanência na escola, em geral, eles e elas assumem a responsabilidade pelos fracassos ou êxitos, outorgados pelo esforço pessoal ou pela falta de interesse na escola. Em outros momentos, jovens atribuem as razões aos problemas internos da escola, como a falta de infraestrutura ou a má relação professor-aluno.
A “chatice da escola”, tal como dizem, é uma avaliação comum entre jovens. Ora falam dos tempos, ora dos conteúdos, ora da relação e dos métodos utilizados pelos professores.
Diante desta realidade, torna-se necessário aprofundar a reflexão para não cairmos na resposta fácil e no beco sem saída do jogo de culpados sobre o qual nos referimos ao iniciarmos este texto. Responsabilizar o jovem estudante pelo desinteresse manifesto, ou a sua família, ou mesmo a sua pobreza, costuma produzir análises superficiais de pouca serventia para enfrentar o
fenômeno da crise de realização da escola.
Mas será que o desinteresse que jovens expressam na vida escolar não pode ser lido como uma  dificuldade que estes encontram em atribuir um sentido à escola, ao que ela tem a oferecer?
É o caso de nos atentarmos para o fato de que a permanência e o abandono da escola pelos jovens se constroem na combinação de condições subjetivas apoio familiar, relação estabelecida com os professores, estímulos originados nas redes de sociabilidade, engajamento na rotina escolar e condições objetivas possibilidades de dedicar-se aos estudos, condições financeiras da família, necessidade da certificação, projetos pessoais mais ou menos delineados que resulta em apropriações diferenciadas da experiência escolar.
A questão da autoridade do professor, a indisciplina
É cada vez mais comum nos depararmos com notícias associadas a situações de violência e agressão na escola. São ocorrências dentro dela ou ao seu redor, mas que a atingem e, muitas vezes, interferem em sua organização e nas atividades cotidianas da instituição.
Há, também, outras formas de ação que alteram o cotidiano da escola não menos preocupantes, mas provavelmente menos visíveis midiaticamente, quase como se já fizessem parte do cotidiano escolar. Estamos nos referindo aos episódios de indisciplina. Entram nessa categoria a agitação e a gritaria em sala de aula, a falta de respeito com colegas e professores, a falta de concentração no conteúdo das aulas, os burburinhos, as mentiras, as manipulações e os conflitos diários.
A proposta, então, é a de pensar sobre como os jovens estudantes, considerados em sua diversidade, têm lidado com as regras escolares, quer sejam elas “impostas” ou “construídas”. E mais, como o modo pelo qual administram a disciplina ou indisciplina faz também parte do jogo
de estratégias de interação das expressões juvenis com a escola.
Bagunceiro, indisciplinado, desordeiro e violento. Estes termos, às vezes, confundem-se por sua imprecisão e escondem dinâmicas completamentediferentes para se referir tanto à violência quanto à incivilidade que alguns jovens manifestam na escola. É bem verdade que, em muitas ocasiões, incivilidade maus hábitos e violência se misturam. Por isso costuma-se referir a toda quebra de regra ou padrão de conduta como atos de indisciplina. No cotidiano da escola não é tão tranquilo diferenciar uma incivilidade de violência, ainda que, conceitualmente, não seja tão difícil realizar distinção entre os fenômenos.
O intuito, contudo,  é estabelecer parâmetros e contribuir para que professores e escolas estabeleçam procedimentos adequados para situações específicas. Medida necessária para não se cair na armadilha de decretar a “epidemia de violência” quando, na maioria dos casos, se está diante de situações de quebra de regras disciplinares ou mesmo da ausência de normas institucional e coletivamente assumidas pela comunidade escolar.
A escola não é apenas um espaço de aprendizagem, mas lugar social de vivência e experiência da condição juvenil. O “esbarrão” que um estudante dá em outro no recreio não é dado em uma pessoa aleatória. Na construção das regras, a primeira coisa para pensar uma escola justa é compreender como as regras são definidas, quem as define e como elas são aplicadas. Uma das maiores reclamações dos jovens alunos é que são os professores, junto aos diretores e à coordenação pedagógica, quem definem as regras, bem como quando elas devem ser aplicadas e a quais sanções os alunos devem ser submetidos. Desse modo eles alegam, então, que não só não compartilham da elaboração das regras, como também estão sujeitos a punições e sanções das quais não têm clareza.
Quem define, portanto, o que é justo ou injusto são os professores. E como já vimos, muitas vezes, os professores vêem os jovens apenas sob a ótica do aluno e filtram toda a gama de experiência juvenil por meio de critérios exclusivamente escolares de rendimento e comportamento. Assim, o bom aluno é o que tem certas características; nos outros, faltam essas características.

Idealizar o jovem que queremos que exista desconhecendo o jovem real que temos diante de nós é criar uma abstração que violenta a subjetividade juvenil e também cria uma dificuldade para o relacionamento. E, da mesma forma, enxergá-lo pela ótica da negatividade não contribui para apreender os modos pelos quais os jovens constroem a sua efetiva e multifacetada experiência de juventude.

RESUMO - CADERNO 01

SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA – SEC
PACTO ENSINO MÉDIO

Colégio Estadual Fred Gedeon
Professor Orientador: Genivaldo Pereira dos Santos

Formação de Professores do Ensino Médio
RESUMO CADERNO – 01 - ENSINO MÉDIO E FORMAÇÃO HUMANA INTEGRAL

No caso brasileiro, o ensino médio talvez seja o mais problematizado na história da educação, pois manifesta “o nó da relação social implícita no ensino escolar nacional” (CURY, 1991).
Ensino Médio – Um balanço histórico institucional
O Império
O Ato Adicional de 1834 traz à Constituição (1824) alguns traços de federalismo. São criadas as Assembleias Provinciais, que dividem com a Assembleia Geral a competência de legislar em certas matérias, por exemplo, no caso da “instrução pública”. Coube então às províncias o direito de promover e regulamentar o ensino primário e médio em suas jurisdições, enquanto a esfera nacional (a Assembleia Geral e os ministros do Império) abrangia as escolas que ministravam o ensino primário e médio no município da Corte e o superior em todo o país. Somente a partir do Ato Adicional altera- se a feição dos estudos secundários, até então fragmentados em aulas avulsas, à moda das aulas régias dos tempos da Colônia.
O Colégio Pedro II foi criado com o propósito de formar as elites nacionais, os altos quadros políticos, administrativos e intelectuais do país. Permaneceu, durante todo o regime monárquico, como referência para a organização dos liceus provinciais e, após a Proclamação da República, continuou a apresentar grande relevância na configuração dos estudos secundários. O não reconhecimento dos graus, títulos, estudos seriados e regulares conferidos pelos liceus provinciais definiu os rumos do ensino secundário provincial. Uma vez considerados desnecessários à aprovação nos exames parcelados para os cursos superiores, eles desapareceram gradativamente, cedendo lugar a um plano de ensino limitado às matérias preparatórias para o sistema de estudos parcelados.
A República
A Constituição Republicana de 24 de fevereiro de 1891 separa a Igreja do Estado, institui o governo federativo no país, laiciza a sociedade e a educação, elimina o voto baseado na renda e institui o voto do cidadão alfabetizado do sexo masculino. Prosseguindo na tradição iniciada pelo Ato Adicional de 1834, transfere a instrução primária aos Estados, aos quais ficou assegurada a organização do ensino em geral, reservando-se, mas não privativamente, ao governo federal a atribuição de criar instituições de ensino secundário e superior nos Estados e prover a educação primária e secundária no Município Neutro (AZEVEDO, 1964).
Reafirmava-se, assim, a dualidade na organização da educação escolar: o âmbito federal, constituído por estabelecimentos de ensino superior e secundário, e o âmbito estadual, com a possibilidade legal de os Estados instituírem escolas de todos os graus e tipos, mas, na realidade, especializando-se nos níveis primários de ensino.
Durante toda a primeira República, portanto, houve uma nítida separação entre o ensino popular, constituído pelas escolas primárias, pelo ensino normal e pelo profissional, e a educação das elites, com as melhores escolas primárias, os ginásios e as escolas superiores.
A correspondência oficial deixa visíveis alguns aspectos relevantes da escola secundária. O primeiro diz respeito às suas mencionadas atribuições sociais, ao seu caráter de ensino propedêutico, preparatório ao ensino superior, destinado “a formar os quadros dirigentes recrutados em certas camadas da população”, satisfeitas com o “padrão de ensino e cultura” transmitido, o qual poderia facilitar “suas pretensões de dominação” e “fornecer alguns requisitos para exercerem as altas funções a que se julgavam destinadas” (NAGLE, 1974, p. 155- 156). O segundo, indissociável do primeiro, refere- se à introdução, pela reforma republicana, do exame de madureza da seriação obrigatória no ensino secundário como tentativa de corrigir o “desvio” de sua “função própria”, isto é, formativa, de impedir a realização dos “exames preparatórios” herdados do Império, o que visava também a garantir a qualidade dos cursos superiores.
No entanto, esses esforços “corretores” foram frustrados “pela pressão dos candidatos às escolas superiores que acabaram por conseguir sucessivos adiamentos daquele exame ou a possibilidade de entrarem em qualquer série”.
O ginásio era, assim, “um curso de caráter aristocrático, profundamente seletivo” e predominantemente masculino: os pobres e as mulheres raramente tinham acesso a esse tipo de ensino (ANTUNHA, 1976).
Francisco Campos foi o primeiro ministro da Educação e Saúde de Vargas. Participou do movimento da Escola Nova e estava ligado ao movimento católico. Defensor de concepções políticas autoritárias e líder nacional da Legião de Outubro em Minas Gerais, foi responsável pelas reformas educacionais naquele Estado na década de 1920.
A reforma do ensino secundário foi regulada por decreto de 18 de abril de 1931. Na exposição de motivos, Francisco Campos afirma ser o ensino secundário o mais importante ramo do sistema educacional, em termos quantitativos e qualitativos, e propõe:
A finalidade exclusiva do ensino secundário não há de ser a matrícula nos cursos superiores; o seu fim, pelo contrário, deve ser a formação do homem para todos os grandes setores da atividade nacional, construindo no seu espírito todo um sistema de hábitos, atitudes e comportamentos que o habilitem a viver por si mesmo e a tomar em qualquer situação as decisões mais convenientes e mais seguras (apud ROMANELLI, 1978, p. 135).
O  curso secundário ficou dividido em dois ciclos: um fundamental de cinco anos (na Itália, simplesmente ginásio, com idêntica duração) para fornecer cultura geral, e outro complementar de dois anos (na Itália, os liceus, com três ou quatro anos de duração), com o objetivo de preparar os candidatos para o ensino superior.
A reforma Francisco Campos veio reforçar as barreiras existentes entre os diferentes tipos de ensino pós-primário. Constituíam esse ensino, como se viu, além das escolas secundárias, as escolas profissionais para formação de quadros intermediários do comércio (a reforma só tratou do ensino comercial) e da indústria, além do magistério primário, não articulados com o secundário nem com o superior, consequentemente.
Apenas o curso secundário preparava para os exames vestibulares e, sem o certificado de conclusão desse curso, nenhum estudante poderia candidatar-se aos exames. O exame de admissão ao ensino secundário, instituído pela reforma federal de 1925, foi mantido pela de
1931, agravando o caráter seletivo dessa modalidade de ensino.
Na Constituição de 1934, além de estar assegurado o ensino religioso nas escolas públicas, a concepção de escola secundária predominante, defendida pelos católicos, ratificava a normatização da escola secundária pela reforma de 1931.
Em 1937, após o golpe de Estado, a Constituição atribuiu competência à União para “fixar as bases e determinar os quadros da educação nacional, traçando as diretrizes que devem obedecer a formação física, intelectual e moral da infância e da juventude”. Uma das dificuldades enfrentadas pela reforma do ensino secundário foi a expansão do setor privado durante as décadas de 1920 e 1930, que se intensificaria ainda mais na década de 1940, graças às inspirações de mobilidade das camadas médias urbanas.
No que se refere aos ramos profissionais do ensino médio, voltavam-se à formação de força de trabalho específica para os diferentes setores da economia e da burocracia.
Além do ensino industrial para o setor secundário, havia o ensino agrícola para o setor primário; o ensino comercial para o setor terciário; e o ensino normal para a formação de professores para o ensino primário.
Do fim da ditadura Vargas à ditadura civil militar: dos anos 1950 aos anos 1980
O  ensino secundário e cada um dos outros ramos do ensino médio permaneceram cursos paralelos durante vários anos, ministrados em redes escolares próprias e sujeitas à jurisdição de diferentes órgãos centrais da administração (consultar SILVA, 1961).




É importante assinalar que nesses anos pós II Guerra Mundial até, aproximadamente, as décadas de 1950/1970, ocorreu grande expansão do ensino médio, em parte decorrente do crescimento demográfico e, em parte, da crescente pressão popular produzida pela ampliação do ensino elementar.
No Brasil, as pressões exercidas pelos movimentos sociais populares nos grandes centros urbanos e industriais do país, como São Paulo, entre o final dos anos 1940 e os anos 1960, levaram à expansão das oportunidades educacionais e à integração formal do ensino primário ao primeiro ciclo do ensino médio, o antigo ginásio.
As funções atribuídas ao novo ensino médio profissional pelo discurso governamental na época eram a de suprir uma suposta carência de profissionais de nível médio e, ao mesmo tempo, possibilitar aos alunos concluintes —que não conseguissem ou não quisessem realizar cursos superiores —a formação profissional necessária para ingressar no mercado de trabalho.
O empobrecimento dos currículos escolares com a retirada e o esvaziamento dos conteúdos de formação geral, imprescindíveis para a compreensão crítica da realidade social, e o fracasso na realização da pretendida formação técnica –— sustentada nas teses ideologizadas da Teoria do Capital Humano que subordinavam a educação às demandas do mercado de trabalho — implicaram a descaracterização e a maior desqualificação do ensino médio, vindo somente a reforçar a dicotomia entre a educação para a “elite” e a educação para o trabalhador.
Da redemocratização ao período atual
Com o fim da ditadura e a passagem por uma transformação social representada por uma nova Constituição (1988), a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) estipulou o Ensino Médio com função formativa, etapa de conclusão da Educação Básica.
Esta LDBEN previu, ao mesmo tempo, que o ensino médio como nível da educação básica pudesse ser ofertado de formas adequadas às necessidades e disponibilidades da população de jovens e adultos de forma a possibilitar condições de acesso e permanência na escola (art. 4º, item VII).
Os ajustes da economia brasileira ao novo contexto econômico foram acompanhados da presença de organismos internacionais, que passaram a orientar as reformas na educação em termos organizacionais e pedagógicos
No plano das relações de trabalho, a formação profissional foi progressivamente transformada em instrumento da gestão individual das competências e dos atributos cognitivos dos assalariados na empresa e fora dela; mesmo em nosso país, onde não se havia conquistado a liberdade e a autonomia sindicais e cuja formação e qualificação não faziam parte das pautas de negociação(QUENSON, 2011, p. 27).
Um dos frutos maiores da reflexão crítica e das iniciativas dos movimentos sociais populares e de educadores democráticos organizados nos Fóruns em Defesa da Escola Pública que participaram do processo Constituinte e da elaboração da nova LDB consistiu na construção de um projeto coletivo destinado a redefinir os objetivos e as atribuições do ensino médio. O projeto de formação humana integral propõe-se a superar a dualidade presente na organização do ensino médio, promovendo o encontro sistemático entre “cultura e trabalho”, fornecendo aos alunos uma educação integrada ou unitária capaz de propiciar-lhes a compreensão da vida social, “da evolução técnico-científica, da história e da dinâmica do trabalho” (CURY, 1991).
Para finalizar nossas digressões históricas, é importante lembrar a recente aprovação pela
Câmara dos Deputados da destinação dos indispensáveis 10% do Produto Interno Bruto à educação pública, pressuposto para a implantação e consolidação do ensino médio de qualidade social, isto é, que promova a formação humana integral em jornada escolar de tempo integral.
Desafios para o ensino médio
Quadro geral do ensino médio: o que nos dizem os indicadores sociais
Uma sociedade igualitária ou a permanência da desigualdade? Chama a atenção nas escolas estaduais o fato de que ao aumento de matrículas corresponde um aumento nas taxas de reprovação e a estabilidade nas taxas de abandono, indicando o desafio, já clássico, no sentido do desenvolvimento de políticas para a fixação dessa parcela da juventude que se aproxima da escola. É importante notar a tendência decrescente nos últimos 10 anos da proporção de jovens
que apenas estudam e que estudam e trabalham, e o aumento dos que apenas trabalham. Tal dado vem reforçar a hipótese de que o ingresso no mercado de trabalho consiste em um dos importantes motivos da evasão escolar. Boa parte dos jovens que apenas trabalham são os mesmos que não completaram o ensino médio (MORAES; KRUPPA, 2013).
Rumo ao Ensino Médio de Qualidade Social: as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, o Direito à Educação e a formação humana integral.
O grande desafio então é avançar na direção de garanti-lo como direito igualitário de todos
de forma pública, gratuita, laica e com qualidade socialmente referenciada, sob a responsabilidade do estado, o que inclui o seu financiamento, conforme anunciam as novas DCN.
Nessa perspectiva, defende-se a constituição de um Sistema Nacional de Educação que efetive a integração dos diferentes níveis e modalidades da educação escolar e a articulação entre as políticas educacionais e as políticas públicas relativas às demais dimensões da vida social: saúde, economia e trabalho, cultura, ciência, tecnologia e meio ambiente, nos planos nacional, regional e local, viabilizando o regime de colaboração entre as instâncias federal, estadual e municipal, evitando a sobreposição de programas e o desperdício de recursos públicos.
Uma formação em que os aspectos científicos, tecnológicos, humanísticos e culturais estejam incorporados e integrados. Assim, os conhecimentos das ciências denominadas duras e os das ciências sociais e humanas serão contemplados de forma equânime, em nível de importância e de conteúdo, visando a uma formação integral de sujeitos autônomos e emancipados (MOURA, 2013). Tal formação, caro professor da rede pública de educação, não pode centrarse exclusivamente nos conteúdos voltados para o acesso ao ensino superior, quer seja o vestibular ou o ENEM, tampouco o foco pode ser a formação instrumental para o mercado de trabalho, centrada na lógica das competências para a empregabilidade. Ambas são mutiladoras do ser humano. Ambas são unilaterais ao invés de se apoiarem na omnilateralidade.
A formação humana integral implicam competência técnica e compromisso ético, que se revelem em uma atuação profissional pautada pelas transformações sociais, políticas e culturais necessárias à edificação de uma sociedade igualitária.
Essa concepção de ser humano é radicalmente oposta à requerida pela lógica da globalização econômica, de forma que os processos educativos, estruturados a partir desse referencial contra-hegemônico, deverão contribuir para a formação de seres humanos capazes de participar politicamente como sujeitos nas esferas pública e privada, em função de transformações que apontem na direção de melhorias coletivas e, portanto, de uma sociedade justa.
Torna-se, portanto, importante compreender que a aprendizagem é um processo singular e social que ocorre de diferentes formas. No que nos interessa, merece destaque a perspectiva da aprendizagem que expresse uma dada relação produzida a partir de instituições.
É preciso incorporar ao currículo conhecimentos que contribuam para a compreensão do trabalho como princípio educativo. Esse princípio permite a compreensão do significado econômico, social, histórico, político e cultural das ciências, das letras e das artes. Compreende-se que uma prática pedagógica significativa decorre da necessidade de uma reflexão sobre o mundo do trabalho, da cultura desse trabalho, das correlações de força existentes, dos saberes construídos a partir do trabalho e das relações sociais que se estabelecem na produção.
Essa reflexão sobre o trabalho como princípio educativo deve constituir-se em um movimento na busca da unidade entre teoria e prática, visando à superação da divisão capital/trabalho –
uma utopia necessária.
É  fundamental atentar para o fato de que o trabalho como princípio educativo não se restringe ao “aprender trabalhando” ou ao “trabalhar aprendendo”. Está relacionado, principalmente, com a intencionalidade de que por meio da ação educativa os indivíduos/coletivos compreendam, enquanto vivenciam e constroem a própria formação, o fato de que é socialmente justo que todos trabalhem, porque é um direito subjetivo de todos os cidadãos, mas também é uma obrigação coletiva, porque, a partir da produção de todos, se produz e se transforma a existência humana e, nesse sentido, não é justo que muitos trabalhem para que poucos enriqueçam cada vez mais, enquanto outros se tornam cada vez mais pobres e se marginalizam – no sentido de viver à margem da sociedade. O trabalho é princípio educativo em seu sentido ontológico ou ontocriativo ao ser compreendido como mediação primeira entre o homem e a natureza e, portanto, elemento central na produção da existência humana.
O  grande desafio para o EM é construir a “travessia” na direção aqui delineada, reconhecendo os limites impostos pela sociedade contraditória e desigual em que se vive. Reconhecendo, também, a extrema desigualdade existente na oferta dessa etapa educacional desde o acesso até a sua completa pulverização em múltiplas concepções e formas da oferta, cujos destinatários são definidos em razão da posição que ocupam na hierarquia socioeconômica, mas não as aceitando como algo natural e imutável.
Para avançar nessa travessia, é fundamental o seu envolvimento nesse processo, lutando pela melhoria das condições de trabalho, incluindo remuneração e carreira e, ao mesmo tempo, apropriando-se criticamente dos conteúdos das novas DCNEM para que, juntamente com os demais colegas professores, seja possível contribuir coletivamente para a sua materialização no chão da escola.
Outros desafios às Políticas públicas de Ensino Médio
Sabemos que o Brasil não conseguiu universalizar o acesso a essa etapa da educação.
No debate nacional, a questão da qualidade do conhecimento adquirido pela população infantojuvenil na etapa da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e médio) tem sido frequente.
Tais circunstâncias impõem, como discutimos ao longo do texto, políticas públicas democráticas que enfrentem as necessidades conjunturais e emergenciais, atendam a particularidade
e a diversidade das demandas sociais — jovens e adultos, homens e mulheres de diferentes etnias, empregados e desempregados — e, ao mesmo tempo, políticas que realizem mudanças ou reformas estruturais e promovam a superação da atual estrutura social geradora da desigualdade.






segunda-feira, 26 de maio de 2014

MATERIAL DIDÁTICO


http://educadores.educacao.ba.gov.br/pacto-ensino-medio/material-did%C3%A1tico

FORMAÇÃO DE PROFESSORES

O Curso de For­mação do Pacto pelo For­ta­le­ci­mento do En­sino Médio na Bahia foi en­ri­que­cido pela ex­pe­ri­ência acu­mu­lada dos pro­gramas es­tru­tu­rantes da Se­cre­taria da Edu­cação: En­sino Médio em Ação (EM-Ação), Ci­ência na Es­cola e En­sino Médio com In­ter­me­di­ação Tec­no­ló­gica (EMITec), vi­sando qua­li­ficar a di­mensão do pla­ne­ja­mento nas es­colas, for­ta­le­cendo o Pro­jeto Po­lí­tico Pe­da­gó­gico (PPP) e con­tri­buindo com a for­mação hu­mana in­te­gral dos atores do en­sino médio.
O pro­grama ofer­tará para os pro­fes­sores e co­or­de­na­dores pe­da­gó­gicos uma for­mação con­ti­nuada, por meio de um curso de 200 horas, a ser de­sen­vol­vido na Uni­dade Es­colar, acom­pa­nhando o ca­len­dário de Ati­vi­dade Com­ple­mentar (AC), por Área do Co­nhe­ci­mento.
O per­curso for­ma­tivo do Pacto está ali­nhado a um Ar­ranjo Ins­ti­tu­ci­onal entre MEC, Se­cre­taria da Edu­cação e IES, po­ten­ci­a­li­zando o apro­fun­da­mento e atu­a­li­zação de con­ceitos e prá­ticas fun­da­men­tais que qua­li­ficam e nor­teiam esse seg­mento de en­sino, com vistas à for­mação hu­mana in­te­gral.
  • Os pro­fes­sores e co­or­de­na­dores pe­da­gó­gicos par­ti­cipam do curso de for­mação nas Uni­dades Es­co­lares, mi­nis­trado pelos Ori­en­ta­dores de Es­tudos;
  • O Ori­en­tador de Es­tudos par­ti­cipa do curso de for­mação na sede das Direc, mi­nis­trado pelo For­mador Re­gi­onal;
  • O For­mador Re­gi­onal, por sua vez,  par­ti­cipa da for­mação no IAT, sob me­di­ação dos For­ma­dores das IES

AMPARO LEGAL DO PACTO


Por­taria MEC Nº 1.140, de 22/11/2013


  

Re­so­lução FNDE Nº 51, de 11/12/2013



http://institucional.educacao.ba.gov.br/pacto-ensino-medio/amparo-legal

PACTO ENSINO MÉDIO - BAHIA

O Pacto pelo For­ta­le­ci­mento do En­sino Médio cons­titui-se em uma par­ceria do Mi­nis­tério da Edu­cação (MEC) com a Se­cre­taria da Edu­cação do Es­tado da Bahia, in­ter­me­diada pelo Ins­ti­tuto Anísio Tei­xeira (IAT), que tem como ob­je­tivo pro­mover a va­lo­ri­zação da for­mação con­ti­nuada dos pro­fes­sores e co­or­de­na­dores pe­da­gó­gicos que atuam no En­sino Médio pú­blico, nas áreas ru­rais e ur­banas, em con­so­nância com a Lei de Di­re­trizes e Base da Edu­cação Na­ci­onal (Lei nº 9.394, de 20 de de­zembro de 1996 - LDB) e as Di­re­trizes Cur­ri­cu­lares Na­ci­o­nais do En­sino Médio (Re­so­lução CNE/CEB nº 2, de 30 de ja­neiro de 2012).
Na Bahia, o Pacto funda seus pi­lares an­co­rado na po­lí­tica de for­mação con­ti­nuada de pro­fes­sores da Se­cre­taria da Edu­cação do Es­tado, re­co­nhe­cendo a es­cola como lócus de for­mação, va­lo­ri­zando e res­sig­ni­fi­cando o Pro­jeto Po­lí­tico Pe­da­gó­gico da es­cola e o es­paço da Ati­vi­dade Com­ple­mentar (AC) como ins­tru­mentos do pla­ne­ja­mento, exe­cução e apri­mo­ra­mento da práxis do­cente.